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Mostrando postagens de 2026

Sobre a Prosa

 É um desejo e um sonho antigo. Sempre o mesmo pensamento e a mesma vontade, aquele desejo que parecia tão distante. Olho para o passado, um filme passa na tela mental, é meio doloroso, mas, aprendi várias lições. Encontrei fantasmas e encontrei grandes amigos, encontrei o meu próprio espírito que havia se fragmentado e espalhava os cacos por universos diversos. Queria encontrar a minha própria Voz no meio dos ecos, é extremamente difícil sobreviver aos pensamentos de ser uma sombra observando no mundo dos mortos. Lá fora chove e esse barulho da chuva me acalma, o cheiro da chuva e o sabor do som das gotas caindo na Terra, quero explicar o poder da tempestade para um cérebro barulhento. É sobre a Prosa, eu sonho com esse livro de capa dura e letras douradas, não uma capa vermelha extravagante, talvez um tom mais voltado para o barro ancestral, talvez um verde escuro musgo, eu penso na capa sem figuras, atualmente o que chama atenção não me dá tesão, eu cresci cheirando e tocando em...

Crônica sem título

  Não tem uma conclusão. Nunca teve sequer um sentido, lembranças que se borram numa lente imprecisa, é devastador observar as fotos e os amores que murcharam no jardim que eu não queria regar, aceito essa culpa, porém, não posso aceitar que nenhuma raíz conseguiu se manter viva num daqueles vasos. Eram prisões mentais e desejos de uma moça perdida. Camille escrevia tantos poemas que não deveria ter apagado, aquele espaço era sagrado, mórbido, mas, ainda assim tremendamente sagrado. O primeiro amor é tão frágil, lembro do telefonema, do selinho breve e do sorriso dela, até hoje consigo sentir a mesma emoção, não tive sorte no amor, mas, amei com fervor. Gostar de mulheres numa família conservadora é doloroso, tudo gera ansiedade, a porta do armário nunca parece fechada totalmente, tem as frestas que mostram muito mais do que deveriam mostrar. Não sei se era amor ou uma paixão da juventude, nunca sei definir o limite entre paixão e amor, sinceramente, penso que poderia ser uma obses...

Crônica do Pré-sentir

  Fico sonhando com Otis, estou plenamente acordada e escuto a voz dele, sinto os olhos próximos da minha cara, a respiração roçando na bochecha. Quando acordo desse transe vejo apenas o vazio, nenhuma presença concreta. A voz é tão real, ele disse que sentia falta de um dia que parece apenas um devaneio, lembro da música e de uma banda conhecida tocando num palco extremamente pequeno, lembro das luzes e das bebidas próximo da piscina, as conversas, as pessoas, uma festa que eu fui para dispersar o tédio da vida. Jovens sempre sentem tanto tédio de tudo, é trágico. Otis no outro lado da piscina sorrindo, a música mesclando sensações e desejos. Sempre me sentia perdida no meio da multidão, cansada dos rostos, da fumaça de cigarro e do cheiro doce do perfume de alguma estranha que me conhecia sabe lá de onde. Ele permanecia distante demais e perto, aquele olhar penetrando o corpo e sondando detalhes que não eram visíveis para outros indivíduos. Os artistas tem sexto e sétimo sentido,...

Death = DEF

  Caro   D.E.F (Distinto Estranho Familiar) Para V   Quando nos conhecemos, você consegue recordar?  Era noite, ou era uma fria madrugada, não sei se era dia, poderia ser numa tarde de sexta-feira. Você era bem peculiar, e era esquisita a nossa forma de conversar. Será que você consegue se lembrar? A minha memória já se apagou completamente, caro amigo. Não tenho nenhum registro, não guardei nenhum fragmento destas belas e alucinantes memórias. Certamente foram episódios divertidos e recheados de confusão mental, risadas e palavras desnecessárias. Agora, neste instante, você consegue voltar no tempo e visualizar tudo nitidamente como aconteceu, querido amigo distintamente estranho ao ponto de ser certamente familiar? Escrevi faz longos anos, era 2016, nunca mais tive notícias, DEF... ele me ensinou coisas nos olhares e risadas, lembro da voz, artista e músico excelente, esquisito demais, inteligente demais, interessante demais, o carinho tão evidente, a loucura ...

Susto e Agonia

  Penso nos monstros e seus rostos. A família que finge ser perfeita, pais ausentes, crianças abandonadas na rua, mortes que não geram notícias no jornal. O ser humano-Deus-imperfeito, o caos de cada dia, é sobre um susto e o que reverbera nos anos de agonia. Todos os livros que não consegui escrever, todos os traumas camuflados nos cantos da casa, a dor ali esperando, a raiva de uma infância que poderia ser menos triste. Nenhum pai esperando ao final da tarde, nenhum consolo no abraço de um fantasma. Só as migalhas de afeto numa vida escondida debaixo da cama, só uma ilusão do que deveria ser e nunca foi. É inútil desejar voltar no tempo todas as noites. O sentimento de não pertencer e não ser gente, ser só um cabide no fundo de alguma gaveta, enferrujando ali entre as traças. Não querer nada além do que um breve abraço materno. A criança parando de sentir, um adorno numa estante que nunca deveria ter nascido gente.

Maio da cor laranja

  Preciso dizer que eu criei esse blog, e escolhi o nome  OUTRA ALUCINAÇÃO  para manter as visões no registro da memória virtual, a mente humana distorce as lembranças. Os anos são como borrões e até as melhores coisas da vida vão se perdendo no emaranhado de sinapses neurais adoecidas. Sinceramente não lembro de várias coisas do passado, esqueço com frequência de memórias recentes, esqueço datas, senhas, às vezes esqueço o que eu ia fazer na cozinha, já pensei que poderia ser demência precoce. Quando era jovem e ingênua pensei que nessa faixa de trinta e muitos eu seria alguém no cenário da Literatura, não tinha a ousadia de me sentir celebridade, admito que me rotulei desde o início de sub-celebridade invisível, a mente humana cria as suas próprias prisões. Ser uma pessoa invisível por decisão é certamente uma ferida do psicológico, os transtornos vão se multiplicando na balança, as crises, as tristezas diárias. Quando escrevo sobre a visão em preto e branco não é somen...

A vida em Si

 "Acho que a vida em Si não tem coisas." Laura Zigut Provavelmente a vida tenha muitas coisas e entre essas coisas ela não tenha nada além de Si, não adianta refutar ou reduzir. Essa vida é composta de dilemas, pessoas que falam sobre a esperança, pessoas que criam novas guerras e não pensam em ninguém além de Si mesmas, claro que existem os fraternos. Tem quem ame e assuma os riscos, e tem quem morre nas incertezas, tem coisas demais na vida e nenhuma explicação concreta para a razão de viver, é só teoria e caos numa ladeira enorme. A vida em Si não gera respostas. Numa escada com degraus de fino vidro, aquele personagem de um mangá se feriu para salvar a palavra amor próprio. Azarado. Um coitado. Ainda vejo as pequenas frases sobre esperança e amor, essa vida não costuma dar segundas chances, talvez, deveria. Acho que a vida consome os dias. Escolhendo de forma aleatória quem deve sofrer e quem deve sorrir ao final do dia, poderia ser um jogo de balas e nenhum confete.

Os Fantasmas & a Paranóia

  Lembro de pequenos vultos enquanto eu caminhava da minha casa ao centro comunitário no Sítio Triunfo, lembro do chão coberto de folhas secas e muitas folhas amarelas, lembro de ir observando as cores e os meus passos, correr, parar, andar devagar e escutar todos os sons naquele caminho, ouvir a voz de uma criança atrás de mim, olhar e não ver ninguém ali, algo soprava no meu ouvido direito, novamente olho para trás sem ver nada, a chegada no cajueiro e olhar a praia, o sabor do vento perto do rio é muito diferente e agradável. Lembro de ouvir aquele sussurro de lugar nenhum, voz calma e levemente maliciosa. — Aqui era um cemitério indígena, você sabia? Ninguém, só o barulho daquela voz. A curiosidade me fez perguntar.  — Muitos deles morreram aqui? – e recebi uma resposta inesperada: — Uma tribo completa foi dizimada aqui. Eu também morri aqui, estava aguardando você chegar. Pela voz parecia um curumim, vi a silhueta próxima do cajueiro, um criança, um espírito ali buscando ...

Pensar filosofia & poesia

  No auge da infância, provavelmente com 4 anos, sim, consigo lembrar de fragmentos dessa fase, frames desbotados, fotografias em câmera lenta, a criança observando a Natureza e o Céu. Aquela pequena pessoa que pensava sem parar, questionando a Realidade, analisando as pequenas fagulhas do que era filosofia. Lembro das perguntas complicadas que fazia e das respostas insalubres, a comicidade, a ingenuidade infantil, a beleza de encarar o cenário de nuvens que se pareciam com seres encantados, vários dragões enormes, várias formas enfeitiçando a visão. Uma menina que sentia com intensidade a Poética no aspecto filosófico do Ser, nunca consegui ver versinhos e musiquinhas como algo atraente, com cada palavra e cada verso a mente registrava informações profundas. Ser tão contemplativa numa idade tão "precoce" era uma maldição, com isso vem de galope a depressão, esse sentir em sobrecarga redemoinhos e viver num alerta silencioso. Li com facilidade muito nova, escrevi garranchos e...

Parasita

  Aquela raiva do que não se pode controlar, o desconhecido, uma sentença: Melhor ser um lixo humano do que um parasita? As entrelinhas e as realidades do pensamento, conjecturas sobre a feiura humana e a imundície que a boca vomita no momento de descontrole. Não é filosofia barata. A realidade e a cultura do egoísmo, um pesadelo e uma vida sem o valor, pegadas num asfalto que se dissolve. Parasita! Ser um parasita, viver como um verme entre as cavidades do intestino.

Trovoadas na janela

  Vergam as tábuas dissonantes, rangem como se fossem quebrar a espinha da nave e me engolir em seu redemoinho. Outros assuntos laterais  me perseguem, e adicionam ao réquiem o bater e rebater da escotilha destrancada, marcando o tempo o ribombar de meu peito acelera a cada nota da trovoada exterior, lágrimas e sangue penetram com a tempestade. Doem-me os pequenos desvios automáticos da mente e corpo debilitados. A ira me consome e me impulsiona, tomando o leme ao último segundo e desviando a boreste poucos graus ante o recife de corais que certamente destruiriam a mim e demais tripulantes da nau. As falanges esbranquiçadas descascam-se e esfacelam se ao encontrar o obstáculo tão mal escondido na carta mal desenhada, o céu não mais me guia, as estrelas apagadas tornam mais difícil encontrar certeza dá rota adelante. Enfim, o instinto que é agraciado pelos deuses do mar, amor e ódio de tantas culturas diferentes presentes me observam, dão-me pouco espaço para erros, e com o esf...

Cicatrizes do Espírito

  Eu não lembro o que era o almoço anteontem mas lembro claramente todo o  bullying que passei na infância, lembro de uma vez, enquanto estava na escada da minha escola e uma menina que sempre me batia surgiu e assim do nada me empurrou. Enquanto caia pelos degraus pensei: " se eu não tivesse nascido essa pessoa não estaria tentando me matar hoje". Lembro de um dia na 7a série que o barulho estava insuportável naquela sala cheia de gente gritando, rindo e andando pra todo lado, eu simplesmente entrei em parafuso, resolvi bater minha cabeça na minha mesa várias vezes. Eu bati com tanta força que pensei: "será que dá pra quebrar o crânio fazendo isso?".   A sala toda ficou em silêncio. Todos olharam para a minha direção, não lembro o que aconteceu após isso, sempre após um surto de sobrecarga eu apagava do processador as informações, nunca compreendi o funcionamento do sistema nervoso nesse aspecto. Gostaria de recordar, mas, também gostaria de não ter nenhum vestígi...

Ancestral Loucura

  Escondido num caderno de 1942 tinha um rosto e uma frase que ficou marcada no pensamento, os traços naquela escrita quase apagando do papel. Era como decifrar alguma magia secreta, toquei as palavras suavemente e desejei compreender cada palavra, foi um esforço tremendo até que consegui ler as 4 linhas daquele texto. "Numa estrada para a encruzilhada de quatro direções não escolha o caminho que já percorreu, nem escolha um caminho vertical, a jornada que leva ao ato de evoluir também pode levar a loucura." Li e reli, tentando sacar qual a grande sabedoria por trás dessas palavras, não cheguei em numa conclusão. Apenas flutuei pelas diversas interrogações do pensamento, a cabeça superaqueceu, horas em silêncio meditando e por fim a desistência. Se você souber a resposta, escreva nos comentários, ajude a elucidar a curiosidade de uma pessoa ansiosa.

Galasequisse

 O título é a idéia central desse conto. É tudo real, até os nomes, tive preguiça de inventar um nome para contar essa história. Bora lá! Lembro de uma madrugada, eu geralmente dormia tarde até 2022, mesmo tomando remédio para dormir forte e tudo e talz. Tenório ligou devia ser por volta das 2 horas, era um domingo, achei estranho porque ele nunca ligava sem antes avisar que queria conversar. Atendi, poderia ser algo urgente. — Alô? — Genny, te acordei? – dava pra perceber a voz chorosa e as palavras doloridas, estranho demais. — Tô acordada, que aconteceu com tu? — Sei lá bicho, eu quero morrer, to muito cansado dessa pandemia de merda, tô muito cansado de tudo. — Que diabo? TU QUERENDO MORRER? – entre assustada e chateada, gritei mesmo, não dava pra acreditar. — Não aguento mais... – chorando e ficando quieto. — O que aconteceu, Tenório? — Genny, tá tudo dando errado, não sei mais como continuar, aquela puta me traiu, eu queria de verdade que desse certo, meus projetos tudo parad...

Carta para T. Tenório A.

  Exclui cada conversa, exclui fotos e qualquer rastro nessas redes virtuais, é tragicômico. Lembro da tua voz falando que queria mudar totalmente, lembro de ser a terapeuta em tempo integral e da amizade que nunca conseguirei esquecer, Tenório. Não lembro mais o link dos teus contos de terror, porém eu lembro daquele conto que tu me pediu pra ler, eu gostei demais do final, o clímax e os diálogos, você escrevia com a sua alma, eu não poderia esquecer. Ninguém é perfeito, você era a pessoa mais pertubada e engraçada que eu tive a oportunidade de conhecer, na verdade, se bem me lembro tu era o mais lúcido. O mundo nunca foi agradável, mas, você sabia contornar todas as dificuldades, amigo. Essa carta é um pedido de desculpas. Sei que não deveria ter feito certas ações, sei que não deveria ter dito palavras afiadas, você merecia paciência e uma amizade pra segurar a mão antes do fim, custo a crer que o covid te levou, não parece real. A tristeza é real, as lágrimas são reais. Essa mo...

No calor da Revolução

  Encontrei André numa praça, cheia de árvores bonitas, um lago pitoresco, quiçá charmoso e familiar, lembro do colete, não sei como, acordei com aquele colete que não era meu, pensei: — Será que eu tomei o colete do menino? Apenas tive respingos de lembranças que se misturavam como a borra de café na água quando lavamos o bule, passei vários minutos me perguntando por que diabos eu tinha vestido aquele colete.  Era uma roupa muito colorida com uma característica artística que me fazia sentir que deveria guardar e não devolver, no fim, eu devolvi, a consciência não me deixou manter guardado algo que aquele rapaz também devia ter apreço. Afinal era um colete tão bonito. Sinto decepcionar por não ter lembranças da conversa quando entreguei o colete para o respectivo dono, lembro que foi numa festa na casa do Diego, lembro das bebidas e das músicas, lembro vagamente das risadas, lembro de ficar em silêncio e pensar sobre como iniciar uma conversa, esqueci por completo o diálogo, ...

Verso Frágil

  O poema Verso Frágil é talvez aquilo que eu gostaria de explicar para minha própria mente, muitas vezes noto que o eu-lírico quer conversar com a Escritora e moldar sentimentos. Acredito nessa necessidade de analisar. Se analisar, se transformar e remexer nos pensamentos e nas intenções.

Divagar no papel

  Aquele pedaço de uma pessoa que eu não conheço e encontro no meu próprio reflexo nesse espelho antigo, escuto as rachaduras no vidro e vejo vários pedaços de personagens que eu nunca inventei. Existe um filme, existe um livro, existe um transtorno nessas palavras sem conexão aparente, existe um segredo e existe uma revolta, aquela criança queria matar os monstros, ela afundou num baú com vários pedaços de espelhos cortando a carne e os seus ossos. Ela nasceu menina.  Ela nasceu como o sexo frágil, apenas outra criança numa teia de aranhas venenosas. Nascer mulher exige fingir que o mundo não é um lugar inseguro, fingir que a vida pode ser sublime, enquanto uma realidade transparece nos jornais. O sexo frágil gera vidas, parindo novos operários nesse mundo controlado por abusadores de crianças. Divagar, só divagar, não pensar no controle, não pensar no medo e na raiva de nascer com um útero. A maternidade enganosa, as dores de parir e tentar renascer enquanto o sangue jorra d...

Crônica Sibilante

  Os ossos. Quase completei com aquele ditado "os ossos do ofício", dissociei.  Repensei e optei por algo óbvio. — Um título menor prende a atenção. – disse algum eco sussurrante num dos cantos do quarto.  Não me assusta, nada mais me assusta.   Depois de tantos anos ouvindo os fantasmas, vira banalidade, nada mais tem qualquer sabor do terror desses filmes Hollywoodianos.  As vozes só ficam tão entediadas quanto o observador.  Confesso que não gosto do método de perturbar justo nas madrugadas, às vezes 3h ou 4h da manhã, não existe a necessidade de causar o pavor, provavelmente fazem isso pela comédia que só os mortos entendem. Eles entendem. É aquilo "os mortos sabem", claro que eles fazem piadas, todos fazem. Engana-se quem acredita que do outro lado só existe seriedade ou rigidez. Ver vultos é a parte mais tranquila da experiência. Ah! quisera só passar a vida toda contando vultos. As manifestações ectoplasmicas geralmente são sinistras, os trotes, a se...

conceito da estupidez

  Nesse viés de transições pela idade adulta existe um termo que convém aos estúpidos: a juventude  é a época da rebeldia.  Um ponto obtuso e pautado na impulsividade letal dos jovens, todavia, existe uma peça fora do quebra-cabeças que trás lucidez para a reflexão, a sociedade criou e ditou essas pequenas regras, implantando conceitos de tal forma que atualmente a grande maioria dos nossos pensamentos geram esses ecos, penso que o correto é direcionar o entendimento, trazer ao campo da juventude a sua responsabilidade em mudar falas e sentenças como essa, a melhor hora é essa que vivemos no tempo presente. O conceito da estupidez é empregado para paralisar e atrofiar a escada rumo ao Mundo Consciente, palavras que são ditas com frequência geram ecos e correntes. Destruir essas falácias deve ser parte de uma cartilha para a geração que vai nascer.

O conforto da insensatez

  Não é uma crônica sobre a vida correta. Beirando o abismo entre madrugadas insones, ter um pingo de lucidez é raro. Não é uma simples historinha fabulosa, talvez nem leve sentindo para os ignorantes. Apenas reacende aquela fagulha que parecia nunca mais gerar fogo, existe um típico conforto em viver por impulso, falar sem entender o que saí da boca, olhar para o imenso vazio da juventude. Aquele papo de segurança na ignorância, escolher numa loja um cérebro novo, trocar de personagem e assumir que a vida é um jogo. A falsidade de um conceito insensato, não é a melhor escolha, não leva ao entendimento de qualquer certeza. Só gera mofo no sistema nervoso, a queda de um penhasco que esconde milhares de zumbis. Andar no Reino dos insensatos parece confortável e prazeroso nas primeiras horas, após os meses e anos a sensação de tragédia causa angústia e desespero. Não existe conforto nessa areia movediça que se mescla com a floresta dos desejos torpes, esqueça da filosofia metafísica e...

Teria da consPIRAÇÃ0

Rolando pela cybernet, – o mundo cibernético é o Caos milimetricamente calculado, – embora eu não tenha um grandioso diploma de Cientista da Computação, o caso notório de que desde a fase infantil tive facilidade com PCs... vou pular o início e gerar esse plot Twist de que ainda criança encontrei o computador do meu irmão lacrado nas caixas, por pura curiosidade fui abrindo, sozinha, provavelmente 8 anos de idade, sem ler nenhum manual. Simplesmente liguei os cabos nos conectores certos, juntei cada parte do Hardware do micro computador e montei perfeitamente, na escola fundamental me chamavam de gênio, na minha visão era só pura curiosidade infantil. Computador completo e com um botão vermelho escrito Power, liguei e comecei a mexer em tudo, era o melhor brinquedo e a distração mais completa.  A criança curiosa encontrando o hiperfoco perfeito, agora pulando pra era digital: essa terceira guerra já começou com ar de guerra fria mal delimitada, parece fantasia trans-vestida de Salv...

Os sonhos sem sentido

 Novo dia, é janeiro, um mês que não faz muita diferença na realidade dos devaneios de todas as madrugadas. Um calendário inútil para quem vive de pequenas certezas diárias, um papel inventado para causar impacto no humano escravo da sociedade. Qual o sentido de sonhar com a liberdade e criar um método para aprisionar a sua liberdade? Os sonhos e o sentido não tem qualquer pretensão de serem a soma dos catetos daquela hipotenusa que eu nunca utilizei, qual uma informação sobre o funcionamento de uma pilha, apertamos botões e as luzes surgem numa pequena lanterna. Quero ler livros de vilões degenerados casando com uma princesa e recebendo uma justificativa de como as ilusões terminam num casamento infeliz que te transforma numa pessoa comum, a princesa é só uma mulher projetada e o príncipe encantado sempre teve o desejo obscuro de destruir a magia naquele castelo de pedras, a realidade é enfadonha, você precisa da fantasia para sonhar. Sonhar é a melhor atividade de um réptil human...

Crônica do Nome

  Lembro vagamente da primeira vez que minha mãe disse o que levou o meu pai a escolher meu nome, ele era completamente obcecado pela leitura, nem sequer se formou no ensino fundamental, saiu da escola ao terminar a quinta série e trabalhou muito no comércio de seu tio, que a está época o adotou, os pais biologicos morreram cedo deixando seus 4 filhos ainda crianças.  Seu Zé Russo cuidava sozinho de uma venda relativamente grande, ainda criança, durante muitos anos foi comerciante, teve um bar chamado "Bar São Francisco", mas, na época do meu nascimento, ele já devia ter os seus 48 anos, no sítio, sem energia elétrica, a luz de um lampião, sua melhor companhia era um livro. Ia até altas horas da madrugada absorto num dos seus livros favoritos e retirou o nome de cada filho de um livro, talvez, por isso em algum lapso da linha do destino acabei também nessa obsessão tão visceral pela leitura. Acredito que de alguma forma o desejo dele de nomear seus filhos por causa de livros ...

Uma dose de saudade

não era sobre o vinho barato  aqueles bares insalubres teu rosto encostado  no meu ombro  o toque suave dos teus dedos segurando a minha mão  a sensação familiar do nosso passado quero outra dose várias garrafas  a saudade no copo meu coração vazio uma nova dose as cadeiras vermelhas cerveja espumando na mesa teu coração estilhaçado uma saudade irritante bebida quente num copo o beijo amargo do adeus a última dose do teu afago querer comprar outras horas  um dia só daquela certeza deitar olhando o céu observar teus olhos voltar no tempo correr e segurar a tua mão  o único abraço que trazia paz a tua voz que eu não esqueço

Aonde está minha mente?

  Entre o barulho e as lacunas do silêncio, minha mente vagueia por dimensões. Outro dia visualizei um furacão na água e quis me jogar dentro daquele olho enorme que se revirava, o olho do furacão é belíssimo visto de perto, diferente do Abismo que não tem uma íris, sempre me pergunto se vivo a realidade ou uma eterna dissociação. — Aonde está a minha mente? Entre as árvores, num jardim paradisíaco inventado para afastar a dor, caminhando entre os girassóis gigantes e desejando entreter a saudade, voando pelo céu de uma pintura de Van Gogh. — Aonde está minha mente hoje? Entre algum verso de poesia e uma frase de Baltazar G. ou nessa carta do Bruno M. que me atiçou a vontade de ir velejar pelos mares da minha imaginação. Acabei de enviar uma carta por telepatia para um amigo do outro lado do Mundo. — Aonde está minha mente? E aonde está sua mente? Estou em todo lugar e nenhum lugar, observo as estações, a chuva e o calor dos dias de fora dessa via láctea. Eu vejo você me lendo agor...