No auge da infância, provavelmente com 4 anos, sim, consigo lembrar de fragmentos dessa fase, frames desbotados, fotografias em câmera lenta, a criança observando a Natureza e o Céu. Aquela pequena pessoa que pensava sem parar, questionando a Realidade, analisando as pequenas fagulhas do que era filosofia. Lembro das perguntas complicadas que fazia e das respostas insalubres, a comicidade, a ingenuidade infantil, a beleza de encarar o cenário de nuvens que se pareciam com seres encantados, vários dragões enormes, várias formas enfeitiçando a visão. Uma menina que sentia com intensidade a Poética no aspecto filosófico do Ser, nunca consegui ver versinhos e musiquinhas como algo atraente, com cada palavra e cada verso a mente registrava informações profundas. Ser tão contemplativa numa idade tão "precoce" era uma maldição, com isso vem de galope a depressão, esse sentir em sobrecarga redemoinhos e viver num alerta silencioso. Li com facilidade muito nova, escrevi garranchos e...
A vertigem da escrita.