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Mostrando postagens de março, 2026

Ancestral Loucura

  Escondido num caderno de 1942 tinha um rosto e uma frase que ficou marcada no pensamento, os traços naquela escrita quase apagando do papel. Era como decifrar alguma magia secreta, toquei as palavras suavemente e desejei compreender cada palavra, foi um esforço tremendo até que consegui ler as 4 linhas daquele texto. "Numa estrada para a encruzilhada de quatro direções não escolha o caminho que já percorreu, nem escolha um caminho vertical, a jornada que leva ao ato de evoluir também pode levar a loucura." Li e reli, tentando sacar qual a grande sabedoria por trás dessas palavras, não cheguei em numa conclusão. Apenas flutuei pelas diversas interrogações do pensamento, a cabeça superaqueceu, horas em silêncio meditando e por fim a desistência. Se você souber a resposta, escreva nos comentários, ajude a elucidar a curiosidade de uma pessoa ansiosa.

Galasequisse

 O título é a idéia central desse conto. É tudo real, até os nomes, tive preguiça de inventar um nome para contar essa história. Bora lá! Lembro de uma madrugada, eu geralmente dormia tarde até 2022, mesmo tomando remédio para dormir forte e tudo e talz. Tenório ligou devia ser por volta das 2 horas, era um domingo, achei estranho porque ele nunca ligava sem antes avisar que queria conversar. Atendi, poderia ser algo urgente. — Alô? — Genny, te acordei? – dava pra perceber a voz chorosa e as palavras doloridas, estranho demais. — Tô acordada, que aconteceu com tu? — Sei lá bicho, eu quero morrer, to muito cansado dessa pandemia de merda, tô muito cansado de tudo. — Que diabo? TU QUERENDO MORRER? – entre assustada e chateada, gritei mesmo, não dava pra acreditar. — Não aguento mais... – chorando e ficando quieto. — O que aconteceu, Tenório? — Genny, tá tudo dando errado, não sei mais como continuar, aquela puta me traiu, eu queria de verdade que desse certo, meus projetos tudo parad...

Carta para T. Tenório A.

  Exclui cada conversa, exclui fotos e qualquer rastro nessas redes virtuais, é tragicômico. Lembro da tua voz falando que queria mudar totalmente, lembro de ser a terapeuta em tempo integral e da amizade que nunca conseguirei esquecer, Tenório. Não lembro mais o link dos teus contos de terror, porém eu lembro daquele conto que tu me pediu pra ler, eu gostei demais do final, o clímax e os diálogos, você escrevia com a sua alma, eu não poderia esquecer. Ninguém é perfeito, você era a pessoa mais pertubada e engraçada que eu tive a oportunidade de conhecer, na verdade, se bem me lembro tu era o mais lúcido. O mundo nunca foi agradável, mas, você sabia contornar todas as dificuldades, amigo. Essa carta é um pedido de desculpas. Sei que não deveria ter feito certas ações, sei que não deveria ter dito palavras afiadas, você merecia paciência e uma amizade pra segurar a mão antes do fim, custo a crer que o covid te levou, não parece real. A tristeza é real, as lágrimas são reais. Essa mo...

No calor da Revolução

  Encontrei André numa praça, cheia de árvores bonitas, um lago pitoresco, quiçá charmoso e familiar, lembro do colete, não sei como, acordei com aquele colete que não era meu, pensei: — Será que eu tomei o colete do menino? Apenas tive respingos de lembranças que se misturavam como a borra de café na água quando lavamos o bule, passei vários minutos me perguntando por que diabos eu tinha vestido aquele colete.  Era uma roupa muito colorida com uma característica artística que me fazia sentir que deveria guardar e não devolver, no fim, eu devolvi, a consciência não me deixou manter guardado algo que aquele rapaz também devia ter apreço. Afinal era um colete tão bonito. Sinto decepcionar por não ter lembranças da conversa quando entreguei o colete para o respectivo dono, lembro que foi numa festa na casa do Diego, lembro das bebidas e das músicas, lembro vagamente das risadas, lembro de ficar em silêncio e pensar sobre como iniciar uma conversa, esqueci por completo o diálogo, ...

Verso Frágil

 

Divagar no papel

  Aquele pedaço de uma pessoa que eu não conheço e encontro no meu próprio reflexo nesse espelho antigo, escuto as rachaduras no vidro e vejo vários pedaços de personagens que eu nunca inventei. Existe um filme, existe um livro, existe um transtorno nessas palavras sem conexão aparente, existe um segredo e existe uma revolta, aquela criança queria matar os monstros, ela afundou num baú com vários pedaços de espelhos cortando a carne e os seus ossos. Ela nasceu menina.  Ela nasceu como o sexo frágil, apenas outra criança numa teia de aranhas venenosas. Nascer mulher exige fingir que o mundo não é um lugar inseguro, fingir que a vida pode ser sublime, enquanto uma realidade transparece nos jornais. O sexo frágil gera vidas, parindo novos operários nesse mundo controlado por abusadores de crianças. Divagar, só divagar, não pensar no controle, não pensar no medo e na raiva de nascer com um útero. A maternidade enganosa, as dores de parir e tentar renascer enquanto o sangue jorra d...