Aquele pedaço de uma pessoa que eu não conheço e encontro no meu próprio reflexo nesse espelho antigo, escuto as rachaduras no vidro e vejo vários pedaços de personagens que eu nunca inventei.
Existe um filme, existe um livro, existe um transtorno nessas palavras sem conexão aparente, existe um segredo e existe uma revolta, aquela criança queria matar os monstros, ela afundou num baú com vários pedaços de espelhos cortando a carne e os seus ossos.
Ela nasceu menina.
Ela nasceu como o sexo frágil, apenas outra criança numa teia de aranhas venenosas. Nascer mulher exige fingir que o mundo não é um lugar inseguro, fingir que a vida pode ser sublime, enquanto uma realidade transparece nos jornais.
O sexo frágil gera vidas, parindo novos operários nesse mundo controlado por abusadores de crianças.
Divagar, só divagar, não pensar no controle, não pensar no medo e na raiva de nascer com um útero. A maternidade enganosa, as dores de parir e tentar renascer enquanto o sangue jorra de suas entranhas.
O corpo que se molda com os anos, a vida entre verdades e mentiras do cotidiano. Essa loucura dos anos entre surtos e remédios calmantes, a vida é sublime, subliminar como a explosão de vulcões. Essa divagação não tem um ponto final.
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