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Mostrando postagens de maio, 2025

Delírios do cotidiano

 Aquele pensamento que consome todas as sinapses neurais e causa um surto num sonho lúcido, é como uma fuga da realidade infeliz. Ganhei um livro sobre "mente positiva" e não consegui sentir gratidão, só a costumeira exaustão da tarde.  Olho pras paredes quando me sinto sobrecarregada, é automático e não é um hábito que me apetece. Só outra loucura comum. Eu tenho rigidez cognitiva ou sou apenas depressiva? Pergunto pro inconsciente e respondo deliberando brevemente:  "Eu só queria estar morta e nunca sequer vir a existência". Eu comia o dicionário com os olhos arregalados, mas, odiava pessoas na minha fase infantil. Ainda odeio pessoas, não todas, a maioria apenas. O cheiro de livro novo é sinestesia pura. Não escrevo tanto quanto gostaria, estou ocupada tentando sobreviver. Cheguei aos anos da decadência mental e sei que fui um fracasso em várias coisas, ser um fracasso também é parte do cotidiano. As pessoas gostam de ser especiais e talentosas, eu gosto de dormi...

Maio de 2003

 A jovem e intensa criança que queria ter um amor ilusório e sonhava com uma fantasia tão pueril.  Em 2003, no mês de maio passei a escrever numa agenda sobre diversas coisas do meu dia a dia. Escrevi sobre os sonhos, as amizades, os mangás que eu lia, sobre as viagens de Macapá ao sítio Triunfo. Histórias que eu guardei somente ali e fiz questão de esquecer.  Esquecer é um privilégio que merece todo o valor. Foi uma fase, só uma fase que passou, e remoer não é saudável, porém, uma pessoa depressiva gosta de remoer pequenas culpas, é um ato muito importante para a mente malfadada de um ansioso. Descobri que todo depressivo já foi por muito tempo ansioso. Um fato infeliz. Estou em 2025 remoendo as vagas lembranças do ano de 2003, acordo e antes de tomar café bebo um copo de água com o gosto das lamentações. Que gosto ácido e indigesto. Fico horas e horas analisando as decisões, as ações daquela adolescente imbecil e chego a rir sozinha de cada pequena coisa que vivi. O que...