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Maio de 2003

 A jovem e intensa criança que queria ter um amor ilusório e sonhava com uma fantasia tão pueril. 

Em 2003, no mês de maio passei a escrever numa agenda sobre diversas coisas do meu dia a dia.

Escrevi sobre os sonhos, as amizades, os mangás que eu lia, sobre as viagens de Macapá ao sítio Triunfo. Histórias que eu guardei somente ali e fiz questão de esquecer. 

Esquecer é um privilégio que merece todo o valor.

Foi uma fase, só uma fase que passou, e remoer não é saudável, porém, uma pessoa depressiva gosta de remoer pequenas culpas, é um ato muito importante para a mente malfadada de um ansioso. Descobri que todo depressivo já foi por muito tempo ansioso. Um fato infeliz.

Estou em 2025 remoendo as vagas lembranças do ano de 2003, acordo e antes de tomar café bebo um copo de água com o gosto das lamentações. Que gosto ácido e indigesto.

Fico horas e horas analisando as decisões, as ações daquela adolescente imbecil e chego a rir sozinha de cada pequena coisa que vivi. O que eu não deveria ter feito e como isso afetaria a adulta que hoje está exausta da vida que começou a ruir tão cedo.

As camadas sombrias da realidade.

(...)

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