Procurando
por fantasias na manhã de um fim de ano aparentemente insólito, a distorcida
cor da alegria vai se transformando em minúsculas gotas de violeta que se
espalham na folha de um papel tracejado nas arestas, na base e no final - pela
tinta nanquim oriental. Quando o soprar de uma rajada de vento faz as folhas do
livro da vida caírem no solo lamacento da terra ancestral, brotam do chão as
pequenas raízes esverdeadas. Crescem ligeiras as plantinhas delicadas e expõem
a flor ao clima tropical.
A
fragilidade é exposta em sua profundidade banal na brancura plácida de um
crisântemo perfumado com lavanda e jasmim. Flores no jardim de algum poeta sem
amor - são flores que acalentam a tristeza do solitário poeta que ora por:
Vinho e poesia; versos e chuva; amor e alegria; serenidade e magia. O poeta
dança quando chove, ri quando todos falam da morte e esquece-se das oras
olhando para as cores do Universo.
Aspas
que se mesclam aos raios do sol, aspas sem reticências e abastecidas por pingos
de luz e cor, a emanação de uma luz verde nas pontas dos traços cinzentos,
traços quase imperceptíveis ao olhar dos seres materialistas dementes - com ar
de fulanos aparentemente inocentes. Enquanto, a magia cola na alma do poeta
solitário, a alegria se funde com as ideias mais loucas do estranho rapaz, as
estrelas caem diante de sua beleza sagaz.
Devanear
é preciso, ouvir as canções interiores ao cismar sobre a cor fugitiva que emana
dos raios lunares numa noite fria de agosto. Ele brinca com a chuva e o vento,
ao partir na sorrateira madrugada de um dia sem nome, ele fala em latim com as
árvores do bosque encantado. Sua voz ecoa no Sul e no Norte, sua voz cor do
mar, tem gosto do sal e cheira à água viva. As aspas precisam de reticências,
as aspas somem no brilho de peças e prosas enfeitiçadas, as aspas necessitam das
mãos de poetas - magos da escrita.
(Lucy
Nantes)
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