"Acho que a vida em Si não tem coisas." Laura Zigut Provavelmente a vida tenha muitas coisas e entre essas coisas ela não tenha nada além de Si, não adianta refutar ou reduzir. Essa vida é composta de dilemas, pessoas que falam sobre a esperança, pessoas que criam novas guerras e não pensam em ninguém além de Si mesmas, claro que existem os fraternos. Tem quem ame e assuma os riscos, e tem quem morre nas incertezas, tem coisas demais na vida e nenhuma explicação concreta para a razão de viver, é só teoria e caos numa ladeira enorme. A vida em Si não gera respostas. Numa escada com degraus de fino vidro, aquele personagem de um mangá se feriu para salvar a palavra amor próprio. Azarado. Um coitado. Ainda vejo as pequenas frases sobre esperança e amor, essa vida não costuma dar segundas chances, talvez, deveria. Acho que a vida consome os dias. Escolhendo de forma aleatória quem deve sofrer e quem deve sorrir ao final do dia, poderia ser um jogo de balas e nenhum confete.
Lembro de pequenos vultos enquanto eu caminhava da minha casa ao centro comunitário no Sítio Triunfo, lembro do chão coberto de folhas secas e muitas folhas amarelas, lembro de ir observando as cores e os meus passos, correr, parar, andar devagar e escutar todos os sons naquele caminho, ouvir a voz de uma criança atrás de mim, olhar e não ver ninguém ali, algo soprava no meu ouvido direito, novamente olho para trás sem ver nada, a chegada no cajueiro e olhar a praia, o sabor do vento perto do rio é muito diferente e agradável. Lembro de ouvir aquele sussurro de lugar nenhum, voz calma e levemente maliciosa. — Aqui era um cemitério indígena, você sabia? Ninguém, só o barulho daquela voz. A curiosidade me fez perguntar. — Muitos deles morreram aqui? – e recebi uma resposta inesperada: — Uma tribo completa foi dizimada aqui. Eu também morri aqui, estava aguardando você chegar. Pela voz parecia um curumim, vi a silhueta próxima do cajueiro, um criança, um espírito ali buscando ...