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A vida em Si

 "Acho que a vida em Si não tem coisas." Laura Zigut Provavelmente a vida tenha muitas coisas e entre essas coisas ela não tenha nada além de Si, não adianta refutar ou reduzir. Essa vida é composta de dilemas, pessoas que falam sobre a esperança, pessoas que criam novas guerras e não pensam em ninguém além de Si mesmas, claro que existem os fraternos. Tem quem ame e assuma os riscos, e tem quem morre nas incertezas, tem coisas demais na vida e nenhuma explicação concreta para a razão de viver, é só teoria e caos numa ladeira enorme. A vida em Si não gera respostas. Numa escada com degraus de fino vidro, aquele personagem de um mangá se feriu para salvar a palavra amor próprio. Azarado. Um coitado. Ainda vejo as pequenas frases sobre esperança e amor, essa vida não costuma dar segundas chances, talvez, deveria. Acho que a vida consome os dias. Escolhendo de forma aleatória quem deve sofrer e quem deve sorrir ao final do dia, poderia ser um jogo de balas e nenhum confete.
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Os Fantasmas & a Paranóia

  Lembro de pequenos vultos enquanto eu caminhava da minha casa ao centro comunitário no Sítio Triunfo, lembro do chão coberto de folhas secas e muitas folhas amarelas, lembro de ir observando as cores e os meus passos, correr, parar, andar devagar e escutar todos os sons naquele caminho, ouvir a voz de uma criança atrás de mim, olhar e não ver ninguém ali, algo soprava no meu ouvido direito, novamente olho para trás sem ver nada, a chegada no cajueiro e olhar a praia, o sabor do vento perto do rio é muito diferente e agradável. Lembro de ouvir aquele sussurro de lugar nenhum, voz calma e levemente maliciosa. — Aqui era um cemitério indígena, você sabia? Ninguém, só o barulho daquela voz. A curiosidade me fez perguntar.  — Muitos deles morreram aqui? – e recebi uma resposta inesperada: — Uma tribo completa foi dizimada aqui. Eu também morri aqui, estava aguardando você chegar. Pela voz parecia um curumim, vi a silhueta próxima do cajueiro, um criança, um espírito ali buscando ...

Pensar filosofia & poesia

  No auge da infância, provavelmente com 4 anos, sim, consigo lembrar de fragmentos dessa fase, frames desbotados, fotografias em câmera lenta, a criança observando a Natureza e o Céu. Aquela pequena pessoa que pensava sem parar, questionando a Realidade, analisando as pequenas fagulhas do que era filosofia. Lembro das perguntas complicadas que fazia e das respostas insalubres, a comicidade, a ingenuidade infantil, a beleza de encarar o cenário de nuvens que se pareciam com seres encantados, vários dragões enormes, várias formas enfeitiçando a visão. Uma menina que sentia com intensidade a Poética no aspecto filosófico do Ser, nunca consegui ver versinhos e musiquinhas como algo atraente, com cada palavra e cada verso a mente registrava informações profundas. Ser tão contemplativa numa idade tão "precoce" era uma maldição, com isso vem de galope a depressão, esse sentir em sobrecarga redemoinhos e viver num alerta silencioso. Li com facilidade muito nova, escrevi garranchos e...

Parasita

  Aquela raiva do que não se pode controlar, o desconhecido, uma sentença: Melhor ser um lixo humano do que um parasita? As entrelinhas e as realidades do pensamento, conjecturas sobre a feiura humana e a imundície que a boca vomita no momento de descontrole. Não é filosofia barata. A realidade e a cultura do egoísmo, um pesadelo e uma vida sem o valor, pegadas num asfalto que se dissolve. Parasita! Ser um parasita, viver como um verme entre as cavidades do intestino.

Trovoadas na janela

  Vergam as tábuas dissonantes, rangem como se fossem quebrar a espinha da nave e me engolir em seu redemoinho. Outros assuntos laterais  me perseguem, e adicionam ao réquiem o bater e rebater da escotilha destrancada, marcando o tempo o ribombar de meu peito acelera a cada nota da trovoada exterior, lágrimas e sangue penetram com a tempestade. Doem-me os pequenos desvios automáticos da mente e corpo debilitados. A ira me consome e me impulsiona, tomando o leme ao último segundo e desviando a boreste poucos graus ante o recife de corais que certamente destruiriam a mim e demais tripulantes da nau. As falanges esbranquiçadas descascam-se e esfacelam se ao encontrar o obstáculo tão mal escondido na carta mal desenhada, o céu não mais me guia, as estrelas apagadas tornam mais difícil encontrar certeza dá rota adelante. Enfim, o instinto que é agraciado pelos deuses do mar, amor e ódio de tantas culturas diferentes presentes me observam, dão-me pouco espaço para erros, e com o esf...

Cicatrizes do Espírito

  Eu não lembro o que era o almoço anteontem mas lembro claramente todo o  bullying que passei na infância, lembro de uma vez, enquanto estava na escada da minha escola e uma menina que sempre me batia surgiu e assim do nada me empurrou. Enquanto caia pelos degraus pensei: " se eu não tivesse nascido essa pessoa não estaria tentando me matar hoje". Lembro de um dia na 7a série que o barulho estava insuportável naquela sala cheia de gente gritando, rindo e andando pra todo lado, eu simplesmente entrei em parafuso, resolvi bater minha cabeça na minha mesa várias vezes. Eu bati com tanta força que pensei: "será que dá pra quebrar o crânio fazendo isso?".   A sala toda ficou em silêncio. Todos olharam para a minha direção, não lembro o que aconteceu após isso, sempre após um surto de sobrecarga eu apagava do processador as informações, nunca compreendi o funcionamento do sistema nervoso nesse aspecto. Gostaria de recordar, mas, também gostaria de não ter nenhum vestígi...

Ancestral Loucura

  Escondido num caderno de 1942 tinha um rosto e uma frase que ficou marcada no pensamento, os traços naquela escrita quase apagando do papel. Era como decifrar alguma magia secreta, toquei as palavras suavemente e desejei compreender cada palavra, foi um esforço tremendo até que consegui ler as 4 linhas daquele texto. "Numa estrada para a encruzilhada de quatro direções não escolha o caminho que já percorreu, nem escolha um caminho vertical, a jornada que leva ao ato de evoluir também pode levar a loucura." Li e reli, tentando sacar qual a grande sabedoria por trás dessas palavras, não cheguei em numa conclusão. Apenas flutuei pelas diversas interrogações do pensamento, a cabeça superaqueceu, horas em silêncio meditando e por fim a desistência. Se você souber a resposta, escreva nos comentários, ajude a elucidar a curiosidade de uma pessoa ansiosa.