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Crônica do Nome

 Lembro vagamente da primeira vez que minha mãe disse o que levou o meu pai a escolher meu nome, ele era completamente obcecado pela leitura, nem sequer se formou no ensino fundamental, saiu da escola ao terminar a quinta série e trabalhou muito no comércio de seu tio, que a está época o adotou, os pais biologicos morreram cedo deixando seus 4 filhos ainda crianças. 

Seu Zé cuidava sozinho de uma venda relativamente grande, ainda criança, durante muitos anos foi comerciante, mas, na época do meu nascimento, ele já devia ter os seus 48 anos, no sítio, sem energia elétrica, a luz de um lampião, sua melhor companhia era um livro. Ia até altas horas da madrugada absorto num dos seus livros favoritos e retirou o nome de cada filho de um livro, talvez, por isso em algum lapso da linha do destino acabei também nessa obsessão tão visceral pela leitura.

Acredito que de alguma forma o desejo dele de nomear seus filhos por causa de livros inesquecíveis tocou ali na linha vermelha dos desejos e impactou a minha existência do embrião a essa fase da contemporânea realidade.

Existem pais que despejam espermatozóides e somem, talvez, eu tive um pouco de sorte, embora meu progenitor morreu enquanto eu era criança, moldou um pouco do meu caráter e me abençoou com um nome forte.

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