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Fantasma

 Pensei num conto, não um clichê das anedotas mais comuns. O que pensei tinha uma coesão e o personagem bem pautado, era uma história com base fictícia, e tons da realidade.

O ser que sempre aparecia no telhado após o relógio marcar 23h45 e no auge da madrugada ele ficava ao lado da cama. Experiência angustiante de várias lembranças, aquele homem invisível tentando me enforcar, a sensação vivida das mãos apertando o meu pescoço e ninguém ali.

Eu escutava o seu grosseiro linguajar, tremendo, todas as suas palavras de escárnio e perversa intenção, um assassino vulgar. No início não rezei, não falei sequer um "ah", apenas fiquei olhando pro vazio e tentando compreender aquela situação tenebrosa.

Após os meses e os anos, não cheguei a rezar, mas, pedi intercessão divina, gesticulando que não merecia aquele visitante. As vezes ele ia embora mais cedo, outras vezes ficava rindo e insinuando que eu era uma criatura desprovida de sorte. Até que simplesmente me acostumei e passei a ter tédio no lugar de medo.

As mesmas ameaças, nenhuma novidade, só o script de sempre ao longo de tantos anos. Eu era jovem e precisava de aventuras melhores, novas oportunidades de sentir. Aquilo não era empolgante, o espírito não tinha nenhum talento em sua própria cina e isso era risível.

Decidi conhecer novos lugares...

Passei a sair quando era quase madrugada, minha janela ainda não tinha grade, literalmente escapulia de casa pulando também o muro, esperava dona Maria dormir e ia para a pracinha na rua de trás, não tinha um objetivo ousado, era só a necessidade de fugir daquele ser tenebroso que surgia no quarto, parecia melhor enfrentar qualquer coisa no lado de fora daquela casa do que dormir no mesmo lugar que o monstro.


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