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A decadência do pensar

 Imaginei por anos que seria reconhecida e teria valor pelo que escrevo, talvez foi um desejo insano, apenas um pequeno delírio que a geração me fez comprar. O foco é: nossa era mudou com um terremoto sagaz.

As pessoas que lêem na atualidade querem pílulas de positividade e auto ajuda rápida. E eu queria publicar "Lágrimas em Versos", ou seja, a decadência do pensamento depressivo que cataloguei por anos num livro de palavras sobre dores. Um simples delírio.

Penso que fui sim um fracasso desde o princípio e isso até me conforta, antes era terrível admitir a minha medíocre sentença. Agora até me vejo sorrindo e dizendo "faz parte".

O meu ego e o meu antigo eu-lirico ansiavam por leitores e atenção, era a carência infantil de ser uma ameba humana. A doença daquele século.

Se ninguém vier ler não vou ficar como outrora, ao contrário, as vezes escrevo somente para as sombras e os fantasmas que me atormentavam durante os dias de chuva e trovões da infância.

Aquela criança que se escondia numa praia deserta e esperava a morte chegar, infelizmente ela cresceu esperando uma criatura fantasiosa e bela, em seu lugar veio a velhice monstruosa e sinistra. O caos de todos os momentos de rejeição e sofrimento sem sentido só culminaram nessa tola idosa de olhos cinzentos.

(...)

É terrível observar as ramificações do pensamento, os buracos, as pequenas fagulhas, o desejo de reverberar, expandir, ter mais acessos ao memento mori que todos celebram.

Na decadência de pensar e filosofar para uma plateia de ovelhas, quem inventou essa metáfora das ovelhas deveria se revirar nesse túmulo, atrofiou possibilidades e engessou mentes. Um mentecapto sem absolvição, eu gosto de livros, mas, acredito que alguns poderiam não ter recebido tanta atenção. 

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