Entre o barulho e as lacunas do silêncio, minha mente vagueia por dimensões. Outro dia visualizei um furacão na água e quis me jogar dentro daquele olho enorme que se revirava, o olho do furacão é belíssimo visto de perto, diferente do Abismo que não tem uma íris, sempre me pergunto se vivo a realidade ou uma eterna dissociação.
— Aonde está a minha mente?
Entre as árvores, num jardim paradisíaco inventado para afastar a dor, caminhando entre os girassóis gigantes e desejando entreter a saudade, voando pelo céu de uma pintura de Van Gogh.
— Aonde está minha mente hoje?
Entre algum verso de poesia e uma frase de Baltazar G. ou nessa carta do Bruno M. que me atiçou a vontade de ir velejar pelos mares da minha imaginação. Acabei de enviar uma carta por telepatia para um amigo do outro lado do Mundo.
— Aonde está minha mente? E aonde está sua mente?
Estou em todo lugar e nenhum lugar, observo as estações, a chuva e o calor dos dias de fora dessa via láctea. Eu vejo você me lendo agora, olhos cansados e a mente adormecida. Vejo Lucy naquele filme e vejo ela criando cada coisa no Universo, vejo todas as sincronias e desconexões. Eu sonho com Lucy.
Sonhei com ela numa palestra sobre a lucidez e a loucura, depois o cenário mudou e estavamos sentados em poltronas na frente do Oceano, mudou novamente e tocávamos as nuvens, dava para comer, realmente tinha gosto de algodão doce, as rajadas do vento congelando nossas mãos, acordei e era uma criança outra vez.
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