Pular para o conteúdo principal

Os sonhos sem sentido

 Novo dia, é janeiro, um mês que não faz muita diferença na realidade dos devaneios de todas as madrugadas. Um calendário inútil para quem vive de pequenas certezas diárias, um papel inventado para causar impacto no humano escravo da sociedade.

Qual o sentido de sonhar com a liberdade e criar um método para aprisionar a sua liberdade?

Os sonhos e o sentido não tem qualquer pretensão de serem a soma dos catetos daquela hipotenusa que eu nunca utilizei, qual uma informação sobre o funcionamento de uma pilha, apertamos botões e as luzes surgem numa pequena lanterna.

Quero ler livros de vilões degenerados casando com uma princesa e recebendo uma justificativa de como as ilusões terminam num casamento infeliz que te transforma numa pessoa comum, a princesa é só uma mulher projetada e o príncipe encantado sempre teve o desejo obscuro de destruir a magia naquele castelo de pedras, a realidade é enfadonha, você precisa da fantasia para sonhar.

Sonhar é a melhor atividade de um réptil humanóide, é a droga mais pesada dos iludidos, é pior do que a cafeína e tem danos colaterais permanentes. Sonhar é a liberdade mais eficaz de quem vive numa margem de fracassos e desgraças. Sonhar é um meio de querer continuar acordado todos os dias.

(...)

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

A saudade azul e cinza

Sempre te dediquei poemas azuis e meu amor cinzento que se desbotava, enquanto, febril e louca me iludia numa obsessão silenciosa, o nosso amor morreu.  Viramos grandes amigas e tua companhia era o meu mar de felicidade por anos de juventude e experiências amalucadas, a melhor companhia numa viagem pela estrada e a melhor amizade que o céu e a terra já me proporcionou. Confesso que chorei por vários meses, também me senti muito culpada e tola. Sinceramente eu sofri em silêncio e sentindo que merecia mesmo o frio e a distância, sentindo essa saudade azul e cinza. No silêncio guardei as minhas dores e paranóias, no silêncio escondi toda a tristeza da falta e dos fragmentos de lembranças, no silêncio eu continuo desejando não perder a amiga querida que eu tanto amei com todos os tons de azul. A minha alma sente essa saudade azul e cinza todos os dias e todas as noites, essa sensação de perder uma parte importante do Coração e viver num corpo meio desconfortável e desconectado do mundo...

Maio de 2003

 A jovem e intensa criança que queria ter um amor ilusório e sonhava com uma fantasia tão pueril. Em 2003, mês de maio passei a escrever numa agenda sobre diversas coisas do dia. Escrevi sobre os sonhos, as amizades, os mangás que eu lia, sobre as viagens de Macapá ao sítio Triunfo. Histórias que eu guardei somente ali e fiz questão de esquecer. Esquecer é um privilégio que merece todo o valor. Foi uma fase, só uma fase que passou, e remoer não é saudável, porém, uma pessoa depressiva gosta de remoer pequenas culpas, é um ato muito importante para a mente malfadada de um ansioso. Descobri que todo depressivo já foi por muito tempo ansioso. Um fato infeliz. Estou em 2025 remoendo as vagas lembranças do ano de 2003, acordo e antes de tomar café bebo um copo de água com o gosto das lamentações. Que gosto ácido e indigesto. Fico horas e horas analisando as decisões, as ações daquela adolescente imbecil e chego a rir sozinha de cada pequena coisa que vivi. O que eu não deveria ter feito...

Aspas sem reticências

P rocurando por fantasias na manhã de um fim de ano aparentemente insólito, a distorcida cor da alegria vai se transformando em minúsculas gotas de violeta que se espalham na folha de um papel tracejado nas arestas, na base e no final - pela tinta nanquim oriental. Quando o soprar de uma rajada de vento faz as folhas do livro da vida caírem no solo lamacento da terra ancestral, brotam do chão as pequenas raízes esverdeadas. Crescem ligeiras as plantinhas delicadas e expõem a flor ao clima tropical. A fragilidade é exposta em sua profundidade banal na brancura plácida de um crisântemo perfumado com lavanda e jasmim. Flores no jardim de algum poeta sem amor - são flores que acalentam a tristeza do solitário poeta que ora por: Vinho e poesia; versos e chuva; amor e alegria; serenidade e magia. O poeta dança quando chove, ri quando todos falam da morte e esquece-se das oras olhando para as cores do Universo. Aspas que se mesclam aos raios do sol, aspas sem reticências ...