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Crônica Sibilante

 Os ossos.

Quase completei com aquele ditado "os ossos do ofício", dissociei. 

Repensei e optei por algo óbvio.

— Um título menor prende a atenção. – disse algum eco sussurrante num dos cantos do quarto. 

Não me assusta, nada mais me assusta. 

Depois de tantos anos ouvindo os fantasmas, vira banalidade, nada mais tem qualquer sabor do terror desses filmes Hollywoodianos. 

As vozes só ficam tão entediadas quanto o observador. 

Confesso que não gosto do método de perturbar justo nas madrugadas, às vezes 3h ou 4h da manhã, não existe a necessidade de causar o pavor, provavelmente fazem isso pela comédia que só os mortos entendem. Eles entendem.

É aquilo "os mortos sabem", claro que eles fazem piadas, todos fazem. Engana-se quem acredita que do outro lado só existe seriedade ou rigidez.

Ver vultos é a parte mais tranquila da experiência.

Ah! quisera só passar a vida toda contando vultos. As manifestações ectoplasmicas geralmente são sinistras, os trotes, a sensação de alguém vigiando na cozinha, os pequenos detalhes que revelam o outro lado. Essa sensação de paranóia e loucura que persiste, o cérebro cutucando "é só uma alucinação".

No decorrer dos anos e das manifestações, chega aquele típico estado de conformidade entre as esquisitices cotidianas.

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