Não tem uma conclusão. Nunca teve sequer um sentido, lembranças que se borram numa lente imprecisa, é devastador observar as fotos e os amores que murcharam no jardim que eu não queria regar, aceito essa culpa, porém, não posso aceitar que nenhuma raíz conseguiu se manter viva num daqueles vasos. Eram prisões mentais e desejos de uma moça perdida.
Camille escrevia tantos poemas que não deveria ter apagado, aquele espaço era sagrado, mórbido, mas, ainda assim tremendamente sagrado. O primeiro amor é tão frágil, lembro do telefonema, do selinho breve e do sorriso dela, até hoje consigo sentir a mesma emoção, não tive sorte no amor, mas, amei com fervor.
Gostar de mulheres numa família conservadora é doloroso, tudo gera ansiedade, a porta do armário nunca parece fechada totalmente, tem as frestas que mostram muito mais do que deveriam mostrar. Não sei se era amor ou uma paixão da juventude, nunca sei definir o limite entre paixão e amor, sinceramente, penso que poderia ser uma obsessão da adolescência.
Gostar de pessoas, não de corpos e órgãos genitais, do brilho que os olhos revelam, do calor ao abraçar o objeto de amor, não sei se gosto de homens, na maioria das vezes tenho nojo do exagero do masculino, a conformidade, a leveza de como certos homens jogam tudo na costa das mulheres e ainda exigem submissão e abnegação, beira o ridículo em tantos degraus.
Ironizo ao pensar que crescer sem pai é só comum, crescer sem mãe é traumático. Imagina uma vida e o que realmente significa a palavra família. Só vejo lacunas e silêncio.
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