Escrevi um parágrafo sobre a demência. Não era uma tese de doutorado, não era uma dissertação, não era uma crítica construtiva e direcionada ao público de um único estabelecimento. Era um surto no contexto mais cru e cruel dessa síntese, um surto entre os dramas da vida adulta, um surto que gritava em milhares de vozes num crânio meio dilatado da normalidade. Sem querer, sem entender, sem sair de dentro do espelho do banheiro, sem desejar uma transformação. Era um surto movido por dissociações e a rejeição, o embaçamento de olhos e a surdez configurada pela sensibilidade que todas as visões ao mesmo tempo causavam nos glóbulos oculares. Nem todo burro vira indigente e nem todo doutor vira gente. São frases ecoando e ecoando, não existe a definição da crônica propriamente dita, não classificado, não como conto ou como qualquer coisa além dessa lacuna de significado. Não é vácuo. Não é só um simples surto, houve taquicardia, houve euforia, houve dor no corpo inteiro e a vontade de ...
A vertigem da escrita.