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Doença psico-mental

 A arte de escrever sobre loucura e depressão, não vou dizer que domino essa classificação, não quero ser esnobe por vocação, não sei se tenho qualquer desejo de ser invejada por viver com a bateria social abaixo de zero, eu quero paz e dormir um pouco mais a cada dia.

Hoje acordei pensando em sui.ci.de so.lu.tion, já é rotina pensar na melhor maneira de nunca mais existir, não vou falar que tudo é trauma e ferida emocional, grande parte é culpa sim do cérebro danificado, minha irmã diz que eu não tenho cara de autista, ela também diz que eu consigo olhar nos olhos normalmente, ela nunca viu os surtos que eu tinha no ensino fundamental em plena sala de aula com vários outros alunos num barulho infernal e aquela agonia que parecia nunca acabar. 

Não viu todas as vezes que as crises pioravam porque eu tenho o senso de abafar num auto isolamento as paranóias, o turbilhão de sensações e essa certeza de que somente a solidão ameniza a dor física e mental. Não é surreal, é apenas uma dor factual. 

Do meu irmão mais velho eu ganhei a caneca da preguiça, mas minha mãe sempre me chamava de inútil e de mort4-viv4, então o ato de pensar em como eu sempre fui uma mestre em ser devagar, lerda, distraída e infeliz num mundo que corre e adora o dia.

Por muitas vezes eu odeio os dias, também odeio as noites, não existe essa coisa de menosprezar somente um ou outro, os pensamentos de cort4r a garg4nt4 surgiram cedo, porém, até hoje observo a lâmina e imagino o corte profundo e let4l, continuo sendo a filha inútil de uma mãe que nunca questionou que a criança que ia nascer m0rt4 poderia ter uma doença na cabeça, ah! não é doença é um espectro.

Só massacrado nas entrelinhas, é uma soma de ausências e silêncios mort4is. 

Preguiça que nunca termina, insônia que nunca passa, o barulho diabólico de uma mente que filosofa em prosa e verso. Não é algo genial, eu esqueço do que eu ia fazer e até de beber água, eu esqueço das horas e dos dias, nunca consegui reconhecer o auto amor, sigo tentando aturar a minha própria cara num reflexo distorcido. 

Outro som e outro cheiro, as vozes, infelizmente não é esquizofrenia, o raciocínio e a lucidez, talvez seja uma fantasia, eu só preciso de uma mor.te ra.pi.da num dia chuvoso. E virar cinzas voando num rio para nunca mais renascer, a existência é uma loucura que as pessoas gostam de transformar em algo belo para não encarar suas próprias falhas.

Às vezes acordo pensando que por sorte pode ser meu último dia, uma esperança, ser sedentária adianta o ato, mas, se passar um longo período de tempo no silêncio consigo respirar.

No escuro reflito: o melhor remédio é não sair da rotina, não mudar padrões, não falar de todas as crises terríveis e da vontade de quebrar a ca.be.ça batendo na parede, eu arranco cabelos quando o estresse piora num nível além, também travo a mandíbula ou mordo várias vezes a parte interna da bochecha, muitas vezes me pego pensando que não sirvo pra viver em sociedade, olhar tantas pessoas e vozes e sons me causa dor nos olhos e ouvidos, o corpo todo dói e nada ameniza.

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