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Fios da Vida

 Não é um conto comum, é uma história ancestral. Os fios movem o Destino e aquela tapeçaria se constrói com as mãos das Tecelãs.

Eram três as senhoras tecendo aquele grande emaranhado de fios, um tear feito do puro ouro, madeira rica e lustrosa, uns fios de prata se destacavam no grande cesto de fios. A primeira mulher observava as outras com extrema rigidez.

— Nenhum fio pode acabar antes do tempo.

As outras duas assentindo com zelo.

Talvez a primeira fosse a mais antiga delas, se é que não eram todas do mesmo tempo. Esse limiar partia de limitações, certamente eram irmãs. A terceira gritou assustada.

— Sumiu, sumiu, meu precioso fio sumiu!

E a segunda zombou.

— Tinha que ser teu descuido a nossa ruína.

Ao que a primeira rangendo os dentes.

— Não parem de tecer os fios, depois de terminar essa volta procuramos o teu fio, irmã, agora é hora de tecer.

As três imersas num canto muito fantasmagórico seguiram no trabalho de suas vidas.

Esqueceu-se completamente do fio a terceira irmã, sequer lembrou de chamar as outras para procurar, no outro dia, ao mexer no cesto encontra com facilidade o fio de prata e arregalando bem o seu único olho exclama:

— Achei! Achei o meu fio precioso!

A segunda irmã bocejando responde:

— Ele nem sequer estava fora do grande cesto, irmã, não estava de fato perdido, tu fostes enganada por tua visão.

Ao que a primeira irmã vendo o clima ficar pesado resolve interceder.

— O que importa é que encontraste o fio do teu Destino, irmã, vamos voltar para o nosso tear.



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