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O sagrado morto

 Tem uma história ancestral sobre os espíritos sagrados, evidências nas religiões de matrizes africanas, evidências no voodoo e em seitas na Ásia e Oriente Médio, está não é uma matéria jornalística.

A religiosidade está repleta dessas certezas, os santos reverenciados e as suas milagrosas aparições. O teor é nítido, o sagrado e a morte andam lado a lado. 

O que nós vamos encontrar do outro lado?

Recordo que os ossos também falam, existe um oráculo divinatório de ossos na Kimbanda, muitos segmentos da mão esquerda e sistemas de magia "negra" possuem oráculos singulares. O ancestral permanece no centro dessa resolução misteriosa, os segredos vão se revelando nesse novo Mundo, anos atrás tudo era sigiloso e não deveria ser abertamente exposto, punições eram sussurradas, os sacerdotes eram vistos com temor.

Um espírito me revelou que o respeito é importante, mas, a verdade também deve ser ouvida, eu poderia mencionar o nome dele, todavia que diferença isso faria numa sociedade como a nossa? Um nome também é sagrado e não deve ser dito por conveniência.

O que ressoa é a intenção, disse que o melhor nome para essa missão não é o nome que teve em vida, e sim o nome que recebeu após atravessar o portal. Seu nome era simplesmente espiritual, como tal mostrou-se com aspecto draconiano, aquele rosto de Dragão Abissal, olhos afiados e antigos, ecoou nos meus ouvidos o nome Salazar, prestei mais atenção e a voz se fez mais nítida. 

— Chama-me assim, SA-LA-ZAR, minha pequena aprendiz.

Cada sílaba gerava uma sensação nos ouvidos e no coração, fiquei em silêncio apreciando aquela informação, até hoje é fácil sentir o gosto do nome.

Chamas e calor, como o sabor de um vulcão querendo voltar a ativa subitamente. A lava que se alastra na carne e nos ossos, não era medo ou insegurança, a presença de algo grande, eu só queria entender sobre os mortos sagrados, outro ser veio para afirmar a existência de formas além da nossa imaginação.

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