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Delírio sem remédio

 As mensagens e as desculpas que não retratam horas e caminhos, não é um conto sobre a paixão envolvente que chega tão tarde, era carinho e delírio.

Essa voz grave, essa voz rouca, essa voz que a imaginação criou para amarrar as lacunas, olhos cansados dessa mesmice que corrói a mente, não é um conto clichê sobre o primeiro amor.

São impulsos e frases numa rede virtual para afagar essa carência que transborda, impulsos de um cérebro exausto. 

Era um novo delírio, virou um flerte e uma rejeição, não era sobre paixão ou sobre permanecer numa ilusão tão frágil, era uma boa escolha de palavras e o sentimento que nunca foi dito.

Ele me rejeitou falando que se apaixonou e recebeu pequenas doses de lembranças dolorosas, sei que fui a algoz de vários sentimentos que mantive na caixa de cartas para esquecer de minha própria infelicidade. 

Perdi as cartas, rasguei os papéis, cortei todas as pequenas formas de amor num delírio silencioso.

Auto sabotagem é parte dessa jornada, querer beijos e afastar pessoas por receio da ferida abrir, ninguém é obrigado a te curar dessa quantidade enorme de cortes, ninguém é obrigado a permanecer com as inseguranças e traumas que afloram, a solidão abraça de imediato e constrói correntes de metal indestrutível.

Sinto saudades de um amor que nunca tive, era um delírio tão suave e adocicado, sinto o cheiro do perfume e do calor daquela pele quente, o calor que se perdeu numa aglomeração de corpos. Sinto falta do abraço e desse calor tão familiar.

 

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