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Conto número 4

 Não é que o título faça sentido, mas, é a pista perfeita. Aquele pequeno sinal, primeiro o barulho na porta, os chamados e a presença. Ficou pesado o clima dentro da casa, a porta abriu e a janela simplesmente se fechou sozinha. Assustador!

No outro lado do mundo o número quatro da azar, fala sobre a morte, é um grande sinal de problemas, aqui nos temos o número treze, a sexta-feira, essas simplórias ressonâncias com dizeres antigos. Ainda lembro do olho na parede, o breu daquela noite, estava completamente escuro no quarto e a TV começa a transmissão de um canal que só passava chuvisco e um som gutural difícil de escutar.

Saí do quarto para desligar a TV, não estava ligada na tomada, senti o coração acelerar. A voz dentro do aparelho televisor ficou mais nítida, deu pra entender uma frase apenas.

— Se você dormir eu vou te matar, vadia.

Era uma voz masculina, o corpo todo ficou gelado, respirando muito rápido arrastei os pés para longe dali, próximo do banheiro surgiu o rosto horrendo de uma mulher furiosa, descabelada, olhos saltando das órbitas e a garganta com os sinais de enforcamento. O medo me tomou por completo nessa hora, paralizei ali e não conseguia mais sair daquele lugar, olhava mais e mais assustada para aquilo.

Desmaiei, ou algo me fez sair de mim.

Parecia que nada fazia qualquer sentido, o mundo era tão frágil, não tinha como saber todas as dimensões do horror. Acordei na minha cama e algo me puxava pela garganta, vi a cama se afastar, me vi flutuando e aqueles seres me prendendo, alguém me apertava e me batia, outro me xingava, o terceiro me observava rindo alto. Eu só queria sair daquele pesadelo, rezei, mentalmente as palavras se formavam e a luz do quarto aumentava.

Acordei e estava deitada no chão perto da televisão, toda a casa estava aberta e era dia claro, olhei o relógio na sala, passava das 10h da manhã. Sentei no sofá e fiquei tentando entender o que tinha acontecido.

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