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Mostrando postagens de 2026

Verso Frágil

 

Divagar no papel

  Aquele pedaço de uma pessoa que eu não conheço e encontro no meu próprio reflexo nesse espelho antigo, escuto as rachaduras no vidro e vejo vários pedaços de personagens que eu nunca inventei. Existe um filme, existe um livro, existe um transtorno nessas palavras sem conexão aparente, existe um segredo e existe uma revolta, aquela criança queria matar os monstros, ela afundou num baú com vários pedaços de espelhos cortando a carne e os seus ossos. Ela nasceu menina.  Ela nasceu como o sexo frágil, apenas outra criança numa teia de aranhas venenosas. Nascer mulher exige fingir que o mundo não é um lugar inseguro, fingir que a vida pode ser sublime, enquanto uma realidade transparece nos jornais. O sexo frágil gera vidas, parindo novos operários nesse mundo controlado por abusadores de crianças. Divagar, só divagar, não pensar no controle, não pensar no medo e na raiva de nascer com um útero. A maternidade enganosa, as dores de parir e tentar renascer enquanto o sangue jorra d...

Crônica Sibilante

  Os ossos. Quase completei com aquele ditado "os ossos do ofício", dissociei.  Repensei e optei por algo óbvio. — Um título menor prende a atenção. – disse algum eco sussurrante num dos cantos do quarto.  Não me assusta, nada mais me assusta.   Depois de tantos anos ouvindo os fantasmas, vira banalidade, nada mais tem qualquer sabor do terror desses filmes Hollywoodianos.  As vozes só ficam tão entediadas quanto o observador.  Confesso que não gosto do método de perturbar justo nas madrugadas, às vezes 3h ou 4h da manhã, não existe a necessidade de causar o pavor, provavelmente fazem isso pela comédia que só os mortos entendem. Eles entendem. É aquilo "os mortos sabem", claro que eles fazem piadas, todos fazem. Engana-se quem acredita que do outro lado só existe seriedade ou rigidez. Ver vultos é a parte mais tranquila da experiência. Ah! quisera só passar a vida toda contando vultos. As manifestações ectoplasmicas geralmente são sinistras, os trotes, a se...

conceito da estupidez

  Nesse viés de transições pela idade adulta existe um termo que convém aos estúpidos: a juventude  é a época da rebeldia.  Um ponto obtuso e pautado na impulsividade letal dos jovens, todavia, existe uma peça fora do quebra-cabeças que trás lucidez para a reflexão, a sociedade criou e ditou essas pequenas regras, implantando conceitos de tal forma que atualmente a grande maioria dos nossos pensamentos geram esses ecos, penso que o correto é direcionar o entendimento, trazer ao campo da juventude a sua responsabilidade em mudar falas e sentenças como essa, a melhor hora é essa que vivemos no tempo presente. O conceito da estupidez é empregado para paralisar e atrofiar a escada rumo ao Mundo Consciente, palavras que são ditas com frequência geram ecos e correntes. Destruir essas falácias deve ser parte de uma cartilha para a geração que vai nascer.

O conforto da insensatez

  Não é uma crônica sobre a vida correta. Beirando o abismo entre madrugadas insones, ter um pingo de lucidez é raro. Não é uma simples historinha fabulosa, talvez nem leve sentindo para os ignorantes. Apenas reacende aquela fagulha que parecia nunca mais gerar fogo, existe um típico conforto em viver por impulso, falar sem entender o que saí da boca, olhar para o imenso vazio da juventude. Aquele papo de segurança na ignorância, escolher numa loja um cérebro novo, trocar de personagem e assumir que a vida é um jogo. A falsidade de um conceito insensato, não é a melhor escolha, não leva ao entendimento de qualquer certeza. Só gera mofo no sistema nervoso, a queda de um penhasco que esconde milhares de zumbis. Andar no Reino dos insensatos parece confortável e prazeroso nas primeiras horas, após os meses e anos a sensação de tragédia causa angústia e desespero. Não existe conforto nessa areia movediça que se mescla com a floresta dos desejos torpes, esqueça da filosofia metafísica e...

Teria da consPIRAÇÃ0

Rolando pela cybernet, – o mundo cibernético é o Caos milimetricamente calculado, – embora eu não tenha um grandioso diploma de Cientista da Computação, o caso notório de que desde a fase infantil tive facilidade com PCs... vou pular o início e gerar esse plot Twist de que ainda criança encontrei o computador do meu irmão lacrado nas caixas, por pura curiosidade fui abrindo, sozinha, provavelmente 8 anos de idade, sem ler nenhum manual. Simplesmente liguei os cabos nos conectores certos, juntei cada parte do Hardware do micro computador e montei perfeitamente, na escola fundamental me chamavam de gênio, na minha visão era só pura curiosidade infantil. Computador completo e com um botão vermelho escrito Power, liguei e comecei a mexer em tudo, era o melhor brinquedo e a distração mais completa.  A criança curiosa encontrando o hiperfoco perfeito, agora pulando pra era digital: essa terceira guerra já começou com ar de guerra fria mal delimitada, parece fantasia trans-vestida de Salv...

Os sonhos sem sentido

 Novo dia, é janeiro, um mês que não faz muita diferença na realidade dos devaneios de todas as madrugadas. Um calendário inútil para quem vive de pequenas certezas diárias, um papel inventado para causar impacto no humano escravo da sociedade. Qual o sentido de sonhar com a liberdade e criar um método para aprisionar a sua liberdade? Os sonhos e o sentido não tem qualquer pretensão de serem a soma dos catetos daquela hipotenusa que eu nunca utilizei, qual uma informação sobre o funcionamento de uma pilha, apertamos botões e as luzes surgem numa pequena lanterna. Quero ler livros de vilões degenerados casando com uma princesa e recebendo uma justificativa de como as ilusões terminam num casamento infeliz que te transforma numa pessoa comum, a princesa é só uma mulher projetada e o príncipe encantado sempre teve o desejo obscuro de destruir a magia naquele castelo de pedras, a realidade é enfadonha, você precisa da fantasia para sonhar. Sonhar é a melhor atividade de um réptil human...

Crônica do Nome

 Lembro vagamente da primeira vez que minha mãe disse o que levou o meu pai a escolher meu nome, ele era completamente obcecado pela leitura, nem sequer se formou no ensino fundamental, saiu da escola ao terminar a quinta série e trabalhou muito no comércio de seu tio, que a está época o adotou, os pais biologicos morreram cedo deixando seus 4 filhos ainda crianças.  Seu Zé cuidava sozinho de uma venda relativamente grande, ainda criança, durante muitos anos foi comerciante, mas, na época do meu nascimento, ele já devia ter os seus 48 anos, no sítio, sem energia elétrica, a luz de um lampião, sua melhor companhia era um livro. Ia até altas horas da madrugada absorto num dos seus livros favoritos e retirou o nome de cada filho de um livro, talvez, por isso em algum lapso da linha do destino acabei também nessa obsessão tão visceral pela leitura. Acredito que de alguma forma o desejo dele de nomear seus filhos por causa de livros inesquecíveis tocou ali na linha vermelha dos des...

Uma dose de saudade

não era sobre o vinho barato  aqueles bares insalubres teu rosto encostado  no meu ombro  o toque suave dos teus dedos segurando a minha mão  a sensação familiar do nosso passado quero outra dose várias garrafas  a saudade no copo meu coração vazio uma nova dose as cadeiras vermelhas cerveja espumando na mesa teu coração estilhaçado uma saudade irritante bebida quente num copo o beijo amargo do adeus a última dose do teu afago querer comprar outras horas  um dia só daquela certeza deitar olhando o céu observar teus olhos voltar no tempo correr e segurar a tua mão  o único abraço que trazia paz a tua voz que eu não esqueço

Aonde está minha mente?

 Entre o barulho e as lacunas do silêncio, minha mente vagueia por dimensões. Outro dia visualizei um furacão na água e quis me jogar dentro daquele olho enorme que se revirava, o olho do furacão é belíssimo visto de perto, diferente do Abismo que não tem uma íris, sempre me pergunto se vivo a realidade ou uma eterna dissociação. — Aonde está a minha mente? Entre as árvores, num jardim paradisíaco inventado para afastar a dor, caminhando entre os girassóis gigantes e desejando entreter a saudade, voando pelo céu de uma pintura de Van Gogh. — Aonde está minha mente hoje? Entre algum verso de poesia e uma frase de Baltazar G. ou nessa carta do Bruno M. que me atiçou a vontade de ir velejar pelos mares da minha imaginação. Acabei de enviar uma carta por telepatia para um amigo do outro lado do Mundo. — Aonde está minha mente? E aonde está sua mente? Estou em todo lugar e nenhum lugar, observo as estações, a chuva e o calor dos dias de fora dessa via láctea. Eu vejo você me lendo agora...