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Os sopros do Além

 Existe um tipo fluido de vitalidade para além da vida e esquecemos de nossas cara-passas nessa estranha quimera dos novos dias. 

As nuances dos ciclos entre primavera e inverno, horas de folhas caindo no chão, alguns sons do além são como o soprar do vento.

As pequenas cigarras surgem com seu zumbir característico nesse vácuo da linha. Aquelas estranhas qualidades que não notamos no primeiro momento, veja a sutileza desses sons.

— Os véus precisam cair.

Um corvo me disse num sonho, e ele tinha 4 olhos e um terceiro olho maior no meio, parecia um tipo mutante de pássaro divinatório e isso me assustou por vários dias.

Os sinais e os sonhos, não sei como ou para que possuem essas aleatórias conexões. As camadas e os véus da realidade, as loucuras e as certezas.

— Todos os véus precisam cair.

Aquele corvo não parecia uma metáfora de Morpheus, nem um mensageiro do Caos, ele parecia um sinal de Odin, todavia, eu não compreendia a realidade daquela mensagem.

Instintivamente busco uma palavra da Serpente e o silêncio que precede a tempestade é um eco significativo nessa manhã. Esse silêncio gera o Caos sem precisar de qualquer motivo. Sei que essa velha Serpente ri no Outro Lado, ri debochando da minha distração cotidiana.




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