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Uma crônica da depressão

Eu usava o cabelo curtíssimo, era o tipo caminhoneira e não usava decotes, por muitos anos pensei entre a revolta e aquela tristeza, da onde os caras surgia das trevas era uma incógnita, todavia, após os 30+ ainda apareceu alguns, mas no geral o meu trauma persistiu e no máximo peguei uns caras na mesma faixa de idade, ou, no máximo 2 a 3 anos mais velhos.

A fase mais cômica: eu fiz meus antigos namorados usarem batom e vestido só porque isso era mais agradável. Nenhum deles tinha prazer em se vestir de maneira feminina, e claro que justamente por isso era mais engraçado. Para além da comicidade, eu sentia maior satisfação em ver um homem com maquiagem.

Homens héteros de batom são atraentes. Ou seja, eu os traumatizei também. Coitados. Justiça divina ou sei lá, foi divertido demais. Sinceramente, não me arrependo de pressionar ex-afetos a serem um pouquinho femininos na intimidade. Só que ao final desses relacionamentos, consegui traumas e chifres, esses pequenos desejos equilibraram a balança invisível.

A loucura humana é tragicômica, todavia meu maior sentimento era por uma moça morena que era extremamente insensata, Kah faleceu em janeiro e penso nela quase todos os dias. Pensar no primeiro amor e sentir a falta da pessoa amiga que me mandava mensagem pra saber se eu estava bem de forma tão carinhosa, mesmo após tantos anos de distância, emociona lá no interior desse coração quebrado.

Para além da infelicidade habitual do primeiro amor, teve o tempo que a minha querida Lara também era meu maior amor platônico. Isso eu guardarei com maior carinho. A vida nos reserva presentes onde poderíamos ter vivido histórias tão diferentes, essa mesma vida também afasta e depois trás de volta por mero deleite de te ver sentir as sensações de um extremo ao outro.

Odeio essa obsessão pelo platônico só pra fazer poesia triste. Odeio essas lacunas e a saudade que gera os poemas, as lágrimas em versos. Odeio e por uns breves instantes gosto da contradição.

A Genninha da vida real só queria casar com a mulher que amasse. Então, passar a vida toda assim. Mas, é encalhada e provavelmente vai morrer sozinha. E noto como a imposição dessa frase me destrói no ponto final, fico desejando as reticências poéticas.

Lá na curvatura dos pensamentos desejos de ver uma nova realidade, um eu-lírico que realiza um sonho antigo, sem tantos percalços e dores silenciosas.

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