Aqueles que me têm muito amor
Não sabem o que sinto e o que sou...
Não sabem que passou, um dia, a Dor
À minha porta e, nesse dia, entrou.
E é desde então que eu sinto este pavor,
Este frio que anda em mim, e que gelou
O que de bom me deu Nosso Senhor!
Se eu nem sei por onde ando e onde vou!!
Sinto os passos de Dor, essa cadência
Que é já tortura infinda, que é demência!
Que é já vontade doida de gritar!
E é sempre a mesma mágoa, o mesmo tédio,
A mesma angústia funda, sem remédio,
Andando atrás de mim, sem me largar!
Florbela Espanca
Era um indígena com uma presença impactante, ele tinha aquela intenção de causar um susto, silencioso, enorme, estava conectado ao grande tajá roxo no quintal, eu sempre que passava perto da planta via o vulto do espírito imponente. Falei dele para duas pessoas distintas, nunca falei nada para minha mãe, ela um dia disse que viu e descreveu exatamente da mesma forma, observei aquilo com curiosidade no início, depois comecei a olhar para ele e questionar: "O que você faz aqui no quintal da 'minha casa', não deveria ir pra outro lugar?" Ele não me respondeu, olhou para minha direita de forma fria e depois voltou a ficar na posição de guarda costas de alguém ou alguma coisa, isso me irritava, a curiosidade e a reação do espírito. "O que você guarda aí?" Ele não respondeu novamente. Mexeu os braços em forma de indiferença total, e isso me espantou, geralmente os espíritos vinham puxar papo comigo, e eu que evitava entrar nas conversas, aquele indígena não queri...

Tal qual o amor, a dor toma conta de nosso ser e nos suga... Sofrível!
ResponderExcluirÓtimo poema de Florbela Espanca este!