Falei dele para duas pessoas distintas, nunca falei nada para minha mãe, ela um dia disse que viu e descreveu exatamente da mesma forma, observei aquilo com curiosidade no início, depois comecei a olhar para ele e questionar:
"O que você faz aqui no quintal da 'minha casa', não deveria ir pra outro lugar?"
Ele não me respondeu, olhou para minha direita de forma fria e depois voltou a ficar na posição de guarda costas de alguém ou alguma coisa, isso me irritava, a curiosidade e a reação do espírito.
"O que você guarda aí?"
Ele não respondeu novamente.
Mexeu os braços em forma de indiferença total, e isso me espantou, geralmente os espíritos vinham puxar papo comigo, e eu que evitava entrar nas conversas, aquele indígena não queria ficar de conversinha.
Tentei pela terceira vez e depois pensei que se ele não respondesse eu ia só deixar de lado, não dava pra forçar um bate papo com alguns mortos. Questionei finalmente:
"Você foi morto aqui?"
Ele olhou nos meus olhos com um brilho e fez um leve aceno com a cabeça, fazia sentido, muitos lugares nessa cidade foram palcos de assassinatos de povos indígenas, o Brasil todo é palco disso até os dias atuais, matar os povos originários era frase de efeito na boca do nosso ex presidente, atualmente presidiário.
Quis saber o nome dele, mas, senti que ele não queria falar sobre e só agradeci a resposta e saí de perto, tem gente que acha que médium fica todo tempo querendo falar com os mortos, eu não sou dessa categoria, falo quando necessário e se o espírito vier conversar primeiro.
No geral as lembranças de conversar com espíritos são sobre informações ou sobre ataques, mas, o tempo gera uma normose, vira hábito ver quem não deveria estar ali, ouvir o que ninguém mais escuta ou sentir cheiros, os mortos são muito mais afiados do que muito vivo que pensa ser esperto.
(...)
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