Ninguém viu o menino descalço chorando e comendo o asfalto,
a mãe dele morreu antes de trazer-lhe o jantar.
Para a fome dele saciar, ela saiu na rua em busca de ar.
Oh, a noite escura tragou num salto o corpo nu do pivete de barriga inchada,
alguém gritou no outro lado da rua,
uma velhinha fez sinal pro ônibus amarelo parar.
Ninguém retirou o corpo morto do meio-fio,
nenhuma reza por ali se ouviu,
só choro e alguns gemidos de agonia reçoavam naquele belo dia.
Uma bala no peito da mulher se via,
o olhar dela era calmo e reluzente,
nenhuma evidencia da alma dela.
Há poucas horas caminhava sem rumo,
agora nada sabia,
e ficou sem ver a claridade do dia.
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