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Conto número 4

 Não é que o título faça sentido, mas, é a pista perfeita. Aquele pequeno sinal, primeiro o barulho na porta, os chamados e a presença. Ficou pesado o clima dentro da casa, a porta abriu e a janela simplesmente se fechou sozinha. Assustador! No outro lado do mundo o número quatro da azar, fala sobre a morte, é um grande sinal de problemas, aqui nos temos o número treze, a sexta-feira, essas simplórias ressonâncias com dizeres antigos. Ainda lembro do olho na parede, o breu daquela noite, estava completamente escuro no quarto e a TV começa a transmissão de um canal que só passava chuvisco e um som gutural difícil de escutar. Saí do quarto para desligar a TV, não estava ligada na tomada, senti o coração acelerar. A voz dentro do aparelho televisor ficou mais nítida, deu pra entender uma frase apenas. — Se você dormir eu vou te matar, vadia. Era uma voz masculina, o corpo todo ficou gelado, respirando muito rápido arrastei os pés para longe dali, próximo do banheiro surgiu o rosto hor...
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Fios da Vida

  Não é um conto comum, é uma história ancestral. Os fios movem o Destino e aquela tapeçaria se constrói com as mãos das Tecelãs. Eram três as senhoras tecendo aquele grande emaranhado de fios, um tear feito do puro ouro, madeira rica e lustrosa, uns fios de prata se destacavam no grande cesto de fios. A primeira mulher observava as outras com extrema rigidez. — Nenhum fio pode acabar antes do tempo. As outras duas assentindo com zelo. Talvez a primeira fosse a mais antiga delas, se é que não eram todas do mesmo tempo. Esse limiar partia de limitações, certamente eram irmãs. A terceira gritou assustada. — Sumiu, sumiu, meu precioso fio sumiu! E a segunda zombou. — Tinha que ser teu descuido a nossa ruína. Ao que a primeira rangendo os dentes. — Não parem de tecer os fios, depois de terminar essa volta procuramos o teu fio, irmã, agora é hora de tecer. As três imersas num canto muito fantasmagórico seguiram no trabalho de suas vidas. Esqueceu-se completamente do fio a terceira irmã,...

O sagrado morto

  Tem uma história ancestral sobre os espíritos sagrados, evidências nas religiões de matrizes africanas, evidências no voodoo e em seitas na Ásia e Oriente Médio, está não é uma matéria jornalística. A religiosidade está repleta dessas certezas, os santos reverenciados e as suas milagrosas aparições. O teor é nítido, o sagrado e a morte andam lado a lado.  O que nós vamos encontrar do outro lado? Recordo que os ossos também falam, existe um oráculo divinatório de ossos na Kimbanda, muitos segmentos da mão esquerda e sistemas de magia "negra" possuem oráculos singulares. O ancestral permanece no centro dessa resolução misteriosa, os segredos vão se revelando nesse novo Mundo, anos atrás tudo era sigiloso e não deveria ser abertamente exposto, punições eram sussurradas, os sacerdotes eram vistos com temor. Um espírito me revelou que o respeito é importante, mas, a verdade também deve ser ouvida, eu poderia mencionar o nome dele, todavia que diferença isso faria numa sociedade ...

Doença psico-mental

  A arte de escrever sobre loucura e depressão, não vou dizer que domino essa classificação, não quero ser esnobe por vocação, não sei se tenho qualquer desejo de ser invejada por viver com a bateria social abaixo de zero, eu quero paz e dormir um pouco mais a cada dia. Hoje acordei pensando em sui.ci.de so.lu.tion, já é rotina pensar na melhor maneira de nunca mais existir, não vou falar que tudo é trauma e ferida emocional, grande parte é culpa sim do cérebro danificado, minha irmã diz que eu não tenho cara de autista, ela também diz que eu consigo olhar nos olhos normalmente, ela nunca viu os surtos que eu tinha no ensino fundamental em plena sala de aula com vários outros alunos num barulho infernal e aquela agonia que parecia nunca acabar.  Não viu todas as vezes que as crises pioravam porque eu tenho o senso de abafar num auto isolamento as paranóias, o turbilhão de sensações e essa certeza de que somente a solidão ameniza a dor física e mental. Não é surreal, é apenas u...

obsessão pseudo sobrenatural

  Não era uma vida fácil, não era nada como parece nesses filmes que Hollywood joga nas telas do resto do mundo subdesenvolvido.  A vida real é cheia de espinhos e quedas, nunca pensei que o relato das drogas seria após os 30, sequer cogitei que estaria respirando após os 27. Não quero manter no silêncio toda a vivência e experiência sobre a obsessão. Também não vou criar conceitos megalomaníacos de cientista louca, não sou formada nisso. Aquele dia a vontade de anestesiar o cérebro era o motivo, lembro de beber uma garrafa de vinho no banheiro, deitar no chão e olhar o forro daquele pequeno local, um espaço minúsculo, silêncio e isolamento auto imposto, não era um desejo de socializar e conhecer gente nova num bar qualquer, a primeira vez que enchi a cara a solidão foi minha companheira de copo. Quando fumei um cigarro pela primeira vez também estava sozinha, não houve um aliado para incentivar, peguei uma carteira esquecida na estante de livros da sala, provavelmente um prim...

sem amarras da normalidade

  Mania e insônia são duas coisas que geram caos. Essa é a rebelião do cérebro neuro diverso, o requinte de caos e a falta de energia, todos os lapsos dissociativos num contexto singular. Penso sobre a IA e a criatividade humana, penso nas lacunas e insisto em não pensar na dor de cabeça que me gera insônia. Ainda não recebi a informação do título, os fantasmas gostam de transformar essas conexões em lições, eu gosto de dormir. Temos uma luta sem vencedor, apatia e dores no receptor, sei que não recebo as mensagens quando não quero escutar, mas, é torturante permanecer numa mesma sintonia com os mortos e os inumanos. Não sei muito sobre o futuro e nem quero voltar ao passado, não quero sair do útero e crescer nesse mundo terrível. Acredito que a vida é por si mesma uma maldição que gera transformação. Sempre ecoa no cérebro aquele som devastador, deveria ser somente um único pesadelo breve, odeio saber que os anos passam e a mesma história se repete nesse ciclo assustador, deveria ...

O eixo da Questão

 A contra cultura é como a maresia ao reverso. Casais e suas pequenas falhas cotidianas, mentiras e segredos sujos. Aqueles olhares e sorrisos que escondem a feiura do desejo.  Virgínia sempre esperava que o perfil de Marcos surgisse na tela do seu celular, já o galã nunca sentiria a mesma ansiedade pela moça. Ele era muito bem casado, só precisava sair da rotina. Excluir era a resposta. Bloquear. Esquecer. Marcos só desejava uns minutinhos de aventura num motel barato e a menina, ingênua, doce e carente desejava que ele viesse com flores e um pedido sincero de namoro. Ela sabia que ele era casado, ela se enganava acreditando no amor que de fato nunca iria surgir, Virgínia não merecia viver essa história de ilusões e delírios. Marcos fingia que ela era muito melhor do que a esposa corna, mas, era tudo um teatrinho que ele criava para satisfazer seus caprichos. Gozar sem receios da jovem amante e manter a esposa do romance perfeito. Quando a pobre Virgínia teria o sonho de ser ...