Pular para o conteúdo principal

Postagens

Aspas sem reticências

P rocurando por fantasias na manhã de um fim de ano aparentemente insólito, a distorcida cor da alegria vai se transformando em minúsculas gotas de violeta que se espalham na folha de um papel tracejado nas arestas, na base e no final - pela tinta nanquim oriental. Quando o soprar de uma rajada de vento faz as folhas do livro da vida caírem no solo lamacento da terra ancestral, brotam do chão as pequenas raízes esverdeadas. Crescem ligeiras as plantinhas delicadas e expõem a flor ao clima tropical. A fragilidade é exposta em sua profundidade banal na brancura plácida de um crisântemo perfumado com lavanda e jasmim. Flores no jardim de algum poeta sem amor - são flores que acalentam a tristeza do solitário poeta que ora por: Vinho e poesia; versos e chuva; amor e alegria; serenidade e magia. O poeta dança quando chove, ri quando todos falam da morte e esquece-se das oras olhando para as cores do Universo. Aspas que se mesclam aos raios do sol, aspas sem reticências ...

Fragmentando pensamentos

Quando se pensa em escrever na folha branca com linhas retas e pretas os rascunhos de um poema, a inspiração simplesmente some, e olhar para as linhas da folha de papel é como olhar para o vazio de um imenso buraco negro, as linhas finas e certeiras parecem metáforas retas de algo que não pode ser descrito em palavras. A caneta escorrega dos dedos e cai silenciosa na mesa de madeira velha, o silêncio ensurdece os espaços fragmentados da mente dormente, enquanto o papel sussurra as suas risadas para o nada. O papel sussurra as suas risadas para o grandioso nada, nesse meio tempo fosco a caneta quebrada no centro da mesa choraminga lamentos por não ser amada, a tinta azul-marinho da infeliz caneta vai escorrendo e manchando a toalha florida que cobre a velha e desgastada mesa de madeira.  A mancha azul-marinho no centro da toalha de mesa florida e suja vai se espalhando na forma de uma frágil folha torta, uma folha que parece não ter linhas nem contorno. Ao contornar a m...

Qual a emoção?

Q uando o silêncio vira o ecoar do barulho de um ventilador de teto, quando a cor azulada das paredes começa a se embaçar na visão, quando parece que o passado voltou a ser presente. Quando a tristeza simplesmente cola na mente. Qual a emoção? Quando a dor transborda em versos, o amor transborda em fragmentos de poemas malfadados e convexos. Quando parece que a sensação de desilusão embaça a alegria e a vontade de sorrir. Quando o sentir vira algo além da imaginação, quando o vazio no coração aparentar desgastar a dor. Qual a sensação? Quando observar a claridade do dia ofusca a sensação de alegria e satisfação, quando o receio transparece no semblante sereno dos dias chuvosos. A expressão de solidão se faz perceptível quando se fixa o olhar na esquina de algum lugar esquecido pelo tempo. O tempo e as sensações. O tempo e a emoção. O tempo correndo, correndo e modificando as particularidades do meio, por fim, qual a finalidade do tempo?

Amor cão

Nesse mundo cão Existe amor cão Amor de cão Nesse nosso mundo cão O meu cão me ama E eu amo o meu cão Nesse mundo cão Quem amo não sabe Isso é pior do que não ter cão Amor cão é sincero Não pede nada além de afago Amor cão não fala só mostra a patinha Ele olha e lambe minha mão Amor devia ser todo dia amor cão Amor devia ser todo dia assim sem razão

Apenas sofrimento

A cada sorriso que você mostra aos demais, a cada gesto de alegria e felicidade exposto aos olhos alheios, a cada pingo de brilho no olhar espelhado em olhos de outros seres, a cada simples sensação de bem estar, para tudo isso existe a dose exata de dor. Apenas a dose certa de sofrimento, uma tristeza sem final é sinal de erro na tecelagem do destino. A melancolia como parte essencial na vida não pode ser algo realmente bom. A melancolia não deveria ser parte na vida de nenhum ser humano, a melancolia deveria ser breve e não deveria retornar jamais. Hoje a minha noite poderia ter sido diferente, hoje poderia ter sido um belo dia, todavia, as minhas noites sempre acabam com ilusões e enganos, as minhas noites são as melhores horas de minha vida sem graça, as minhas noites fazem a diferença em meu absorto devaneio de ir além do véu deste espaço-tempo caótico. E no entanto, hoje nem a noite salvou esta minha pseudo alegria, hoje vi a pior face da dor, ou talvez, apenas te...

A lembrança expressa

Sandra p.Köche P ense antes de falar, pense antes de xingar, pense antes de gritar, pense antes de avançar o sinal vermelho. Existem pessoas que tem tanta pressa em tudo que acabam morrendo antes do relógio delas avisar que chegou a hora. Eu não tenho pressa, quero entender a fundo a lógica da vida antes de deixar esse corpo transitório, quero entender completamente a beleza de existir antes de sumir. Acredito que não se pode entender sobre a própria certeza de estar vivo sem antes expressar claramente o ato de analisar a margem da lembrança expressa em nossa alma. Existem milhões de vidas neste meu mundo particular e em cada organismo de nossos corpos; e existem bilhões de vidas em cada canto deste Universo. Lembrar é viver, lembrar é crescer.  As lembranças que levamos de todas as nossas vidas passadas, vidas regressas, vidas embaçadas e vidas puramente vividas são como diamantes gigantes incrustados em nosso espirito, a beleza de entender as sutilezas da alma não po...

A lembrança mesclada

P assei um tempo olhando a superfície azulada daquela água salgada, observei atentamente a areia em meus pés, respirei o sabor do mar, senti o calor do sol. Eu encontrei conchas de todos os tipos, colhi-as uma por uma, sorrindo por encontrar-me bem longe da cidade onde nasci, no mês em que completei vinte e quatro anos de existência neste meu veiculo carnal. E as minhas mãos tocaram em belas formas rochosas cobertas por crustáceos e conchinhas de todas as cores e tamanhos. As ondas do mar arrebataram meu coração, o sabor salgado da brisa ressecou meus lábios, meu corpo todo ficou em estado de graça, antes do sol partir entre nuvens a beleza das cores no céu era um misto de melancolia e desespero breve. Vi rostos e corpos de desconhecidos desnudos, apreciei a beleza da pele humana, apreciei o olhar no rosto de cada estranho que vi passar, enquanto andava pela infinidade amarela da areia quente. A areia é como o mar na cor errada, a areia a prin...