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A porta entre aberta

  Aquela mulher gritava para se fazer de vítima, existe um tipo singular de mãe e existe uma realidade que é guardada nessas lápides de lajotas e mármore. Os cemitérios tem respostas e segredos, aqueles túmulos contam fatos e levam retratos que se apagam com o calor e a chuva, são zonas no mundo de meditações e sabedoria silenciosa, muitas vezes é um grito que ensurdece no espírito. Dessa realidade levamos verdades e dilemas, pensar no outro lado era entre turbilhão de emoções e a placidez da finalização de alguma jornada, esse nome gera sempre uma metáfora que faísca no pensamento, encontrar a jornada faz parte da jornada, essa estrada é o começo da jornada, tem várias bifurcações e ainda assim existe a falácia pomposa que é tudo sobre a jornada.  Os anos voam. Escolher qual caminho e qual decisão tem um eco, a percepção que fica é de que alguém teve que inventar essa palavra para criar uma ilusão bonita que satisfaça a nossa angústia. Escrever sobre chaves e portas, escrever...
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Letargia Provisória

  A lentidão das horas numa embriaguez  de pensamentos  Escrito na parede com letras verdes um verso qualquer  Odeio a simetria que correu das rimas e contou uma crônica: Era setembro e não chovia, estava observando a parede uma senhora, sem chorar ou rir, apenas olhando para o nada.  Encontrou aquelas frases e se perdeu dentro da mente, leu, releu, nunca mais esqueceu. "O primeiro pecador sofreu". "O segundo pecador morreu". "O terceiro pecador sou EU".

Delírio sem remédio

  As mensagens e as desculpas que não retratam horas e caminhos, não é um conto sobre a paixão envolvente que chega tão tarde, era carinho e delírio. Essa voz grave, essa voz rouca, essa voz que a imaginação criou para amarrar as lacunas, olhos cansados dessa mesmice que corrói a mente, não é um conto clichê sobre o primeiro amor. São impulsos e frases numa rede  virtual para afagar essa carência que transborda, impulsos de um cérebro exausto.  Era um novo delírio, virou um flerte e uma rejeição, não era sobre paixão ou sobre permanecer numa ilusão tão frágil, era uma boa escolha de palavras e o sentimento que nunca foi dito. Ele me rejeitou falando que se apaixonou e recebeu pequenas doses de lembranças dolorosas, sei que fui a algoz de vários sentimentos que mantive na caixa de cartas para esquecer de minha própria infelicidade.  Perdi as cartas, rasguei os papéis, cortei todas as pequenas formas de amor num delírio silencioso. Auto sabotagem é parte dessa jornada,...

Horror psicológico

  Tem gente fanática por horror, tem gente fanática por pensamentos enraizados e tem gente que mata gente para comer pedaços raros da carne humana. Não é um conto simples do canibalismo humano e das elites, poderia ser.  É sobre o canibalismo por baixo dessas camadas de revolta e soberania. Não gosto de preencher todo o quadro negro, o sangue escorre nas paredes, o sangue também é bebida rara dos vampiros antigos. Tem um conto nessa história, porém, não tem uma história sobre esse conto. Delineada no portão da memória ficou trancada essa crônica, pedaços humanos e porcos comendo a carne que foi cortadinha em pedaços, o ser humano é tão pequeno, existe um ego enorme nesse corpo pequeno, existe um sofrimento em cada filme de terror brasileiro, eu ia falar somente do horror psicológico. A lenda que fica ali no ar. Aquele fantasma veio assombrar o seu algoz? São camadas que geram mais camadas e medo numa frequência que não pode ser controlada, o pedaço do corpo humano mais caro é ...

Conto número 4

 Não é que o título faça sentido, mas, é a pista perfeita. Aquele pequeno sinal, primeiro o barulho na porta, os chamados e a presença. Ficou pesado o clima dentro da casa, a porta abriu e a janela simplesmente se fechou sozinha. Assustador! No outro lado do mundo o número quatro da azar, fala sobre a morte, é um grande sinal de problemas, aqui nos temos o número treze, a sexta-feira, essas simplórias ressonâncias com dizeres antigos. Ainda lembro do olho na parede, o breu daquela noite, estava completamente escuro no quarto e a TV começa a transmissão de um canal que só passava chuvisco e um som gutural difícil de escutar. Saí do quarto para desligar a TV, não estava ligada na tomada, senti o coração acelerar. A voz dentro do aparelho televisor ficou mais nítida, deu pra entender uma frase apenas. — Se você dormir eu vou te matar, vadia. Era uma voz masculina, o corpo todo ficou gelado, respirando muito rápido arrastei os pés para longe dali, próximo do banheiro surgiu o rosto hor...

Fios da Vida

  Não é um conto comum, é uma história ancestral. Os fios movem o Destino e aquela tapeçaria se constrói com as mãos das Tecelãs. Eram três as senhoras tecendo aquele grande emaranhado de fios, um tear feito do puro ouro, madeira rica e lustrosa, uns fios de prata se destacavam no grande cesto de fios. A primeira mulher observava as outras com extrema rigidez. — Nenhum fio pode acabar antes do tempo. As outras duas assentindo com zelo. Talvez a primeira fosse a mais antiga delas, se é que não eram todas do mesmo tempo. Esse limiar partia de limitações, certamente eram irmãs. A terceira gritou assustada. — Sumiu, sumiu, meu precioso fio sumiu! E a segunda zombou. — Tinha que ser teu descuido a nossa ruína. Ao que a primeira rangendo os dentes. — Não parem de tecer os fios, depois de terminar essa volta procuramos o teu fio, irmã, agora é hora de tecer. As três imersas num canto muito fantasmagórico seguiram no trabalho de suas vidas. Esqueceu-se completamente do fio a terceira irmã,...

O sagrado morto

  Tem uma história ancestral sobre os espíritos sagrados, evidências nas religiões de matrizes africanas, evidências no voodoo e em seitas na Ásia e Oriente Médio, está não é uma matéria jornalística. A religiosidade está repleta dessas certezas, os santos reverenciados e as suas milagrosas aparições. O teor é nítido, o sagrado e a morte andam lado a lado.  O que nós vamos encontrar do outro lado? Recordo que os ossos também falam, existe um oráculo divinatório de ossos na Kimbanda, muitos segmentos da mão esquerda e sistemas de magia "negra" possuem oráculos singulares. O ancestral permanece no centro dessa resolução misteriosa, os segredos vão se revelando nesse novo Mundo, anos atrás tudo era sigiloso e não deveria ser abertamente exposto, punições eram sussurradas, os sacerdotes eram vistos com temor. Um espírito me revelou que o respeito é importante, mas, a verdade também deve ser ouvida, eu poderia mencionar o nome dele, todavia que diferença isso faria numa sociedade ...