Pular para o conteúdo principal

Noite numa roda de espíritos

 Ele disse que se chamava Pantera Negra.

Era noite de lua bonita no céu, eu tinha uma iniciação de Reiki nivel 3B para facilitar para o meu aluno Lobo, o nome faz jus ao rapaz. 

Tudo correu nos conformes, tracei os símbolos e aproximei a linhagem, muitos seres ancestrais ao nosso redor, eu observo com cautela o processo e faço os passos da iniciação como manda o figurino, minutos depois já é hora de acordar o iniciado, oferecer água e perguntar sobre suas percepções.

Ele levantou e nos dirigimos para minha sala, conversando do que comer, do que não comer, as recomendações de sempre. Então, noto a aproximação de um animal enorme no plano espiritual, não faço alarde, continuo observando e tentando analisar as intenções do visitante.

Sinto os formigamentos na coluna, aquele sinal da incorporação que nunca me agrada, nada no ato de incorporar é suave, dessa vez a força animalesca me deixa desnorteada, os movimentos automáticos, joelhos no chão, o ponto da criatura e o levantar brusco.

— Sou Pantera, seu mestre, criança! - suas palavras saem rasgando a minha garganta.

O rapaz olha assustado mas também com a devida compreensão, ele assente.

— O que o senhor deseja de mim?

— Desejo ouvidos atentos e que saiba que não vai estar sozinho daqui em diante, meu povo vai estar com você, todo o meu clã e a nossa força vai te proteger.

— Poxa, eu lhe agradeço muito!

— Agora eu me retiro, meu nome é Pantera Negra, chame quando precisar. Até.

— Axé, vou chamar, obrigada seu Pantera.

Fui voltando devagar, o corpo todo parece que vai se quebrar, os pés queimando e a sensação de que tinha um enorme bicho no meu pescoço, incorporação é sinistra, ele veio e foi com a rapidez de um felino enorme.

Nunca consegui me acostumar com essa energia da incorporação, todavia a percepção do ser é extremamente real, repassei as últimas informações ao meu pupilo e ele foi embora agradecido, eu fiquei refletindo no que tinha acontecido, o Reiki me trouxe muitas situações que fogem totalmente da compreensão racional.


Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

O espírito ancestral

 Era um indígena com uma presença impactante, ele tinha aquela intenção de causar um susto, silencioso, enorme, estava conectado ao grande tajá roxo no quintal, eu sempre que passava perto da planta via o vulto do espírito imponente. Falei dele para duas pessoas distintas, nunca falei nada para minha mãe, ela um dia disse que viu e descreveu exatamente da mesma forma, observei aquilo com curiosidade no início, depois comecei a olhar para ele e questionar: "O que você faz aqui no quintal da 'minha casa', não deveria ir pra outro lugar?" Ele não me respondeu, olhou para minha direita de forma fria e depois voltou a ficar na posição de guarda costas de alguém ou alguma coisa, isso me irritava, a curiosidade e a reação do espírito. "O que você guarda aí?" Ele não respondeu novamente. Mexeu os braços em forma de indiferença total, e isso me espantou, geralmente os espíritos vinham puxar papo comigo, e eu que evitava entrar nas conversas, aquele indígena não queri...

Cicatrizes do Espírito

  Eu não lembro o que era o almoço anteontem mas lembro claramente todo o  bullying que passei na infância, lembro de uma vez, enquanto estava na escada da minha escola e uma menina que sempre me batia surgiu e assim do nada me empurrou. Enquanto caia pelos degraus pensei: " se eu não tivesse nascido essa pessoa não estaria tentando me matar hoje". Lembro de um dia na 7a série que o barulho estava insuportável naquela sala cheia de gente gritando, rindo e andando pra todo lado, eu simplesmente entrei em parafuso, resolvi bater minha cabeça na minha mesa várias vezes. Eu bati com tanta força que pensei: "será que dá pra quebrar o crânio fazendo isso?".   A sala toda ficou em silêncio. Todos olharam para a minha direção, não lembro o que aconteceu após isso, sempre após um surto de sobrecarga eu apagava do processador as informações, nunca compreendi o funcionamento do sistema nervoso nesse aspecto. Gostaria de recordar, mas, também gostaria de não ter nenhum vestígi...

Aspas sem reticências

P rocurando por fantasias na manhã de um fim de ano aparentemente insólito, a distorcida cor da alegria vai se transformando em minúsculas gotas de violeta que se espalham na folha de um papel tracejado nas arestas, na base e no final - pela tinta nanquim oriental. Quando o soprar de uma rajada de vento faz as folhas do livro da vida caírem no solo lamacento da terra ancestral, brotam do chão as pequenas raízes esverdeadas. Crescem ligeiras as plantinhas delicadas e expõem a flor ao clima tropical. A fragilidade é exposta em sua profundidade banal na brancura plácida de um crisântemo perfumado com lavanda e jasmim. Flores no jardim de algum poeta sem amor - são flores que acalentam a tristeza do solitário poeta que ora por: Vinho e poesia; versos e chuva; amor e alegria; serenidade e magia. O poeta dança quando chove, ri quando todos falam da morte e esquece-se das oras olhando para as cores do Universo. Aspas que se mesclam aos raios do sol, aspas sem reticências ...