O que vejo quando acordo é o alto de uma montanha e lá no centro aquela sinistra árvore imensa que poderia tombar no olho de um furacão, as flores amarelas caindo aos montes, o cheiro da chuva tempestuosa e todos os raios que caem no mesmo lugar.
Eu estou de olhos abertos e continuo vendo o desenrolar desse cenário caótico com a nitidez tão crua que sempre me choca, a vida urge e minha mente permanece exausta. O dia amanheceu e não quero acordar, vou divagar pela somatória das horas e resistir ao desejo de olhar pela janela.
Eu gosto de dormir e isso não é só um ato de procrastinação inefável, a realidade é uma roda em brasa, esse inesgotável calor das manhãs. Eu só preciso dormir por 8 horas completas, mas, quase sempre a insônia me aprisionava no início das madrugadas.
Eu gosto de dormir, enquanto o mundo explode numa grandiosa fumaça meteórica, dormir e encontrar velhos amigos nesses sonhos fantasmagóricos, só dormir pelo período de meses sem gritar na metade da madrugada porque o sonho era lúcido.
Eu só desejo dormir.
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