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Crônica do Armário

Quando eu tinha uns 21 ou 22 anos pensei que me casaria com a moça ideal, sim, mulher, nunca sequer cogitei casamento com qualquer cara, achava a grande maioria dos homens imbecis e vulgares, não todos, tive e tenho amigos queridos. 

No quesito relacionamento sim vi situações que me fizeram entender que é melhor casar com uma pessoa do mesmo sexo, pelo companheirismo, ter uma amiga pra segurar a mão nas piores horas e também nos dias mais felizes.

A grande maioria dos meus poemas sempre foram para mulheres idealizadas, alguns para amores platônicos e para o amor que feneceu, eu tentei sair do meu armário algumas vezes e parecia uma coisa tão angustiante e tenebrosa, eu tentei seguir o caminho cômodo também e ficava parada observando aquele cenário ilusório e falso.

Tentei me analisar e me revirar externa e internamente, queria não ser eu, ser qualquer outra pessoa, quis ser um homem e imaginei que seria um sonho delirante não ser mulher, não nascer mulher, odiei a minha imagem no espelho tantas vezes e por fim, tentei curar as feridas que só eu e o silêncio conhecemos.

Agora no ápice dessa velhice mental e óssea vejo as memórias com certo desdém, os excessos e dores da existência distorcida, uma mente que se exauriu e definhou nos bastidores por excesso de ansiedade e insegurança. Ao olhar no espelho eu vejo claramente uma sombra me olhando fixamente e que sempre me diz "não fuja".

Fugir de si mesmo é sempre a pior decisão.

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