Chegou novembro e ela ficou pintada no meu coração, dei-lhe os relógios do sol e esperei as gotas da chuva, mas, a incerteza dela cravou uma estaca na minha alma e sorrindo eu acenei para o vento leva-la em segurança a caverna dos meus devaneios infinitos. A incerteza dela envenenou a minha nostalgia e perdida eu fiquei na escuridão observando o fim de mais um ilusório dia.
As estrelas brilhavam e os pássaros me observando agonizar na solidão disseram as nuvens cinzentas para que a chuva continuasse até o raiar do dia, enquanto chovia em meu corpo frio e sem vida, eu via o amanhecer do fim de um ciclo e a doçura do passado transformou-se em alucinação. Ela voltou em outubro e abraçou a minha solidão, mas, em novembro a dor matou a certeza que restava no meu coração, os nossos melhores sentimentos serão lembranças eternas.
O amor que eu senti por ela não poderá morrer, o amor que eu senti por ela nunca chegará a fenecer, mas, o que ela sente por mim não parece ser suficiente para abraçar toda a tristeza que eu já acumulei em meu coração durante os anos que ela passou trancada numa outra dimensão. Novembro sussurra em meus ouvidos que é preciso deixar o passado morrer, a dor precisa matar essa frágil incerteza e a realidade conspira a favor do vento, é hora de seguir na direção que indica a insana verdade sobre a razão de transcender a ilusão da desilusão.
(Lucy Nantes)
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