Exclui cada conversa, exclui fotos e qualquer rastro nessas redes virtuais, é tragicômico. Lembro da tua voz falando que queria mudar totalmente, lembro de ser a terapeuta em tempo integral e da amizade que nunca conseguirei esquecer, Tenório. Não lembro mais o link dos teus contos de terror, porém eu lembro daquele conto que tu me pediu pra ler, eu gostei demais do final, o clímax e os diálogos, você escrevia com a sua alma, eu não poderia esquecer. Ninguém é perfeito, você era a pessoa mais pertubada e engraçada que eu tive a oportunidade de conhecer, na verdade, se bem me lembro tu era o mais lúcido. O mundo nunca foi agradável, mas, você sabia contornar todas as dificuldades, amigo. Essa carta é um pedido de desculpas. Sei que não deveria ter feito certas ações, sei que não deveria ter dito palavras afiadas, você merecia paciência e uma amizade pra segurar a mão antes do fim, custo a crer que o covid te levou, não parece real. A tristeza é real, as lágrimas são reais. Essa mo...
Encontrei André numa praça, cheia de árvores bonitas, um lago pitoresco, quiçá charmoso e familiar, lembro do colete, não sei como, acordei com aquele colete que não era meu, pensei: — Será que eu tomei o colete do menino? Apenas tive respingos de lembranças que se misturavam como a borra de café na água quando lavamos o bule, passei vários minutos me perguntando por que diabos eu tinha vestido aquele colete. Era uma roupa muito colorida com uma característica artística que me fazia sentir que deveria guardar e não devolver, no fim, eu devolvi, a consciência não me deixou manter guardado algo que aquele rapaz também devia ter apreço. Afinal era um colete tão bonito. Sinto decepcionar por não ter lembranças da conversa quando entreguei o colete para o respectivo dono, lembro que foi numa festa na casa do Diego, lembro das bebidas e das músicas, lembro vagamente das risadas, lembro de ficar em silêncio e pensar sobre como iniciar uma conversa, esqueci por completo o diálogo, ...