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Mostrando postagens de junho, 2025

Fantasma

 Pensei num conto, não um clichê das anedotas mais comuns. O que pensei tinha uma coesão e o personagem bem pautado, era uma história com base fictícia, e tons da realidade. O ser que sempre aparecia no telhado após o relógio marcar 23h45 e no auge da madrugada ele ficava ao lado da cama. Experiência angustiante de várias lembranças, aquele homem invisível tentando me enforcar, a sensação vivida das mãos apertando o meu pescoço e ninguém ali. Eu escutava o seu grosseiro linguajar, tremendo, todas as suas palavras de escárnio e perversa intenção, um assassino vulgar. No início não rezei, não falei sequer um "ah", apenas fiquei olhando pro vazio e tentando compreender aquela situação tenebrosa. Após os meses e os anos, não cheguei a rezar, mas, pedi intercessão divina, gesticulando que não merecia aquele visitante. As vezes ele ia embora mais cedo, outras vezes ficava rindo e insinuando que eu era uma criatura desprovida de sorte. Até que simplesmente me acostumei e passei a te...

A decadência do pensar

 Imaginei por anos que seria reconhecida e teria valor pelo que escrevo, talvez foi um desejo insano, apenas um pequeno delírio que a geração me fez comprar. O foco é: nossa era mudou com um terremoto sagaz. As pessoas que lêem na atualidade querem pílulas de positividade e auto ajuda rápida. E eu queria publicar "Lágrimas em Versos", ou seja, a decadência do pensamento depressivo que cataloguei por anos num livro de palavras sobre dores. Um simples delírio. Penso que fui sim um fracasso desde o princípio e isso até me conforta, antes era terrível admitir a minha medíocre sentença. Agora até me vejo sorrindo e dizendo "faz parte". O meu ego e o meu antigo eu-lirico ansiavam por leitores e atenção, era a carência infantil de ser uma ameba humana. A doença daquele século. Se ninguém vier ler não vou ficar como outrora, ao contrário, as vezes escrevo somente para as sombras e os fantasmas que me atormetavam durante os dias de chuva e trovões da infância. Aquela criança...

Revelando desejos

 O gosto daquele beijo nunca saiu do meu pensamento, e tenho noites que volto pra mesma cena num tipo de transe que me incomoda.  Observo todos os ângulos e gesticulo para fantasmas que se ocultam da minha vista, mas, a presença é como um peso nos cantos dessa casa.  Sempre pergunto: "Por que ele decidiu ir embora assim?" - abro a porta e olho a rua deserta. As estações passaram e anos e anos já terminaram, não lembro da conversa por completo, lembro do sorriso dele com aquele ar de malícia costumeira, os olhos dele que me chamavam em silêncio.  Aquela certeza que sempre vou guardar no meu baú de coisas preciosas.  As mãos macias tocando meu rosto. Já quis esquecer e já quis fingir indiferença, já deixei todos esses fragmentos dispersos e já registrei num papel um desejo secreto, queimei e decidi bloquear as lembranças. Eu lembro do rosto dele aos 15 anos e lembro de cada abraço e cada vez que seguramos nossas mãos e dos pequenos carinhos, éramos tão jovens e ob...