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Mostrando postagens de maio, 2011

Sem remédio

Aqueles que me têm muito amor Não sabem o que sinto e o que sou... Não sabem que passou, um dia, a Dor À minha porta e, nesse dia, entrou. E é desde então que eu sinto este pavor, Este frio que anda em mim, e que gelou O que de bom me deu Nosso Senhor! Se eu nem sei por onde ando e onde vou!! Sinto os passos de Dor, essa cadência Que é já tortura infinda, que é demência! Que é já vontade doida de gritar! E é sempre a mesma mágoa, o mesmo tédio, A mesma angústia funda, sem remédio, Andando atrás de mim, sem me largar! Florbela Espanca

Ninguém

Ninguém viu o menino descalço chorando e comendo o asfalto,  a mãe dele morreu antes de trazer-lhe o jantar.  Para a fome dele saciar, ela saiu na rua em busca de ar.  Oh, a noite escura tragou num salto o corpo nu do pivete de barriga inchada,  alguém gritou no outro lado da rua,  uma velhinha fez sinal pro ônibus amarelo parar. Ninguém retirou o corpo morto do meio-fio,  nenhuma reza por ali se ouviu,  só choro e alguns gemidos de agonia reçoavam naquele belo dia. Uma bala no peito da mulher se via,  o olhar dela era calmo e reluzente,  nenhuma evidencia da alma dela. Há poucas horas caminhava sem rumo,  agora nada sabia,  e ficou sem ver a claridade do dia.