No dia indeterminado, no horário errado, numa noite fria e nebulosa - esse era o ponto marcante do cenário por mim observado da varanda naquela pequena casa - , parecia um sonho, eu desejava ardentemente que fosse apenas um sonho, entretanto, a realidade nunca foi tão concreta e palpável. Eu poderia tocar-lhe, gostaria de poder sentir a textura daquela criatura, isso se ela não fosse parte integrante de um estado de espírito, pelo menos eu pensava que ela não passava de um produto falho criado pela minha imaginação. Tolice minha, pois todos os meus sentidos estavam harmonizados, a face pálida e translúcida que me encarava sorridente não era uma alucinação, não, aquela figura distinta a minha frente verdadeiramente existia, e sorria, ela sorria zombeteira e inocente, enquanto eu tremia, tossia e arfava de medo. Ouvir num sussurro o meu nome pronunciado por aquele ser me paralisou a espinha, fiquei estática, como uma estátua viva, por assim dizer, sua voz fraca e s...
A vertigem da escrita.